Ponta Grossa, nos Campos Gerais, comandada por uma aliada de primeira ordem de Sergio Moro (PL), vai na contramão do Paraná quando o assunto é responsabilidade fiscal. De acordo com o Tesouro Nacional, a cidade tem nota C na prévia fiscal de Capacidade de Pagamento (Capag), métrica que avalia a capacidade dos estados e municípios de honrarem seus compromissos. Já o Paraná tem índice A+, nota máxima de avaliação.
A prefeitura de Ponta Grossa é comandada por uma das principais aliadas da candidatura do senador: Elizabeth Schmidt (PL), à frente do município desde 2021. Ela e sua equipe participaram ativamente da construção do plano de governo de Moro, divulgado após o registro de sua candidatura e por pressão de setores da sociedade.
O principal objetivo da Capag é verificar se um novo endividamento representa risco de crédito para o Tesouro Nacional. É como se fosse um selo de confiança na hora que o ente federativo realiza operações de crédito, como empréstimos, com garantia da União.
No caso de Ponta Grossa, a nota C mostra que o município pode não honrar com os seus compromissos. O principal problema apontado pelo Tesouro Nacional é no indicador “Poupança Corrente”, com nota C. A métrica mede a relação entre as despesas correntes (gastos com a manutenção da máquina pública e pessoal) e as receitas correntes do município.
Uma das possíveis explicações para o baixo desempenho está no alto gasto com despesas de pessoal registrado em Ponta Grossa. Entre 2021 e 2024, primeira gestão de Elizabeth, as despesas com custeio da máquina pública praticamente dobraram, passando de R$ 299 milhões para R$ 591 milhões, aumento de 97,6% em apenas 4 anos.
A critério de comparação, nos quatro anos anteriores o aumento das despesas foi de apenas 8,8%, de R$ 226 milhões em 2017 para R$ 246 milhões em 2020.


Na contramão de Ponta Grossa, o estado do Paraná alcançou a nota máxima do Capag pela primeira vez em 2024, com A+, mantendo o padrão de excelência em 2025 e na prévia fiscal do Tesouro Nacional para 2026. Na prática, o estado pode realizar empréstimos com garantia da União sem ressalvas, com condições melhores de juros e de pagamentos.
Outro ponto que difere a gestão estadual da municipal é a Dívida Consolidada Líquida (DCL) em relação à Receita Consolidada Líquida (RCL). Enquanto no Paraná a DCL é negativa (-3,25%), ou seja, o Estado tem mais recurso em caixa do que contas a pagar, em Ponta Grossa a dívida sobre a receita chega a 28,5%.
A situação fiscal do “Modelo Ponta Grossa” é ainda mais complicada quando se olha o histórico da gestão atual que, ao invés de “cortar na carne”, reduzindo despesas e gastos com a máquina pública, aumentou impostos como IPTU em até 50% para os moradores. Graças a emendas na Câmara de Vereadores, o aumento de 50% foi reduzido para 30%, mas ainda com impacto significativo no bolso dos pontagrossenses.
A péssima situação local não condiz com a realidade que o Paraná vivencia nos últimos anos. Isso porque com as contas em dia e dinheiro em caixa, o Governo do Estado promoveu a redução, em 45%, do valor do IPVA, e isentou motos de até 170 cilindradas do pagamento do imposto. Ambas as medidas beneficiaram milhões de paranaenses, inclusive de Ponta Grossa, que tiveram que utilizar o que sobraria na conta para pagar impostos municipais.


