O candidato a deputado federal pelo PL no Paraná Jocelino Veloso fez, nesta quarta-feira (9), graves denúncias contra a direção estadual do partido em suas redes sociais, acusando a legenda de favorecer algumas candidaturas na distribuição dos recursos do fundo eleitoral. A manifestação ocorre uma semana após a Folha de S.Paulo revelar que Rosângela Moro, esposa do candidato ao governo Sergio Moro, é a candidata a deputada federal do PL que mais recebeu recursos no Estado, com R$ 2,6 milhões. (Vídeo no final da matéria)
Em um pronunciamento de cerca de uma hora, Jocelino afirmou que faz campanha sem recursos do fundo eleitoral e acusou grupos políticos de usar dinheiro para conquistar o apoio de vereadores e outras lideranças. Ele também cobrou que Moro se posicionasse sobre o que está ocorrendo dentro do partido.
A reportagem da Folha, publicada em 1º de setembro com base nos dados parciais da prestação de contas do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), apontou que Rosângela Moro havia recebido R$ 2,6 milhões do PL para sua campanha à Câmara dos Deputados. O valor correspondia a 21,6% dos R$ 12 milhões distribuídos pelo diretório nacional aos 31 candidatos do partido no Paraná e a cerca de 34% dos R$ 7,7 milhões destinados às candidaturas femininas.
Na ocasião, o PL afirmou à Folha que a distribuição seguia uma estratégia eleitoral para fortalecer candidaturas com potencial de puxar votos.
Jocelino, porém, questionou os critérios e afirmou que o presidente estadual do PL, Filipe Barros, candidato ao Senado, não estaria distribuindo de forma igualitária a estrutura de campanha entre os candidatos. “O presidente do partido, Filipe Barros, não está honrando com a distribuição de estrutura para os seus candidatos a deputados estaduais e federais”, declarou.
Compra de lideranças
Jocelino acusou outros candidatos do PL de usar dinheiro para conquistar apoio de lideranças locais e afirmou que haveria vereadores recebendo R$ 30 mil e R$ 50 mil para atuar em campanhas. Ele informou que pretende levar as acusações à Justiça Eleitoral.
“Vocês podem comprar prefeito, podem comprar vereador, podem comprar liderança de comunidade, podem comprar liderança de bairros, podem comprar lideranças de municípios, mas o povo do Paraná vocês não vão comprar”.
Segundo o candidato, a falta de recursos estaria desanimando outros integrantes da chapa que apoiam Moro e prejudicando o desempenho da campanha. Ele afirmou que candidatos que não recebem estrutura deixam de pedir votos para o candidato ao governo e relacionou esse cenário à queda de Moro nas pesquisas. “Tem muitos candidatos do lado do Moro desanimados […] por que estão desanimados com o sistema”, disse.
Jocelino também criticou um evento de Moro previsto para Guarapuava, alegando que grupos políticos que passaram a apoiar o candidato em 2026 estariam recebendo espaço em detrimento de integrantes do próprio PL. Segundo ele, haveria uma movimentação para criar estruturas paralelas de apoio a determinadas candidaturas na região. “Eu não vou ser usado como candidato laranja. Eu não vou ser usado como fantoche”, afirmou.


