quarta-feira, 16 setembro 2026
UMUARAMA/PR

Gaeco chega à Câmara de Xambrê e faz buscas na sala do presidente em exercício

Gaeco chega à Câmara de Xambrê e faz buscas na sala do presidente em exercício

Operação alcançou gabinete e residência de Edinalvo Venturi, que assumiu o comando da Câmara após crise envolvendo Ademir Leite da Silva

A Câmara Municipal de Xambrê voltou ao centro das atenções na manhã de hoje (sexta-feira, 11). Desta vez, equipes do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), com apoio da Polícia Civil, realizaram buscas dentro da sede do Poder Legislativo, incluindo a sala utilizada pelo presidente em exercício da Casa, Edinalvo Lima Venturi (MDB).

As diligências também chegaram à residência de Edinalvo, localizada no distrito de Elisa. A movimentação ocorreu meses depois de o vereador assumir a condução da Câmara em meio à crise desencadeada pelo afastamento do então presidente Ademir Leite da Silva (PL), conhecido como “Cabeção”.

Até o momento, não foram divulgadas oficialmente informações detalhadas sobre o objeto da investigação que levou o Gaeco à Câmara, quais documentos ou materiais eram procurados e se houve apreensões. Também não há, até esta publicação, elementos oficiais que permitam afirmar eventual responsabilidade criminal de Edinalvo. As circunstâncias das buscas deverão ser esclarecidas pelas autoridades responsáveis pela operação ainda hoje pela manhã.

A presença dos investigadores, porém, acrescenta um novo capítulo a um ano conturbado no Legislativo de Xambrê.

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Reprodução

Edinalvo era vice-presidente da Câmara quando passou a comandar os trabalhos diante da ausência de Ademir. O próprio Regimento Interno determina que cabe ao vice-presidente substituir o presidente em suas ausências ou impedimentos.

A crise começou em maio, quando Ademir (foto abaixo) passou a ser investigado em um caso envolvendo sua ex-companheira. Decisão do Tribunal de Justiça do Paraná registra que a prisão preventiva foi decretada em procedimento relacionado, em tese, aos crimes de descumprimento de medida protetiva de urgência, ameaça e lesão corporal. A defesa buscou judicialmente a revogação da prisão.

A ordem não foi cumprida inicialmente. Segundo informações divulgadas à época, policiais foram até a residência do parlamentar na noite de 7 de maio e Ademir teria deixado o imóvel pelos fundos. Ele passou então a ser considerado foragido.

Com a cadeira da presidência sem seu titular, Edinalvo assumiu a condução das atividades legislativas. A Câmara continuou realizando sessões e votando projetos durante o período. Registros oficiais mostram, por exemplo, a realização da 14ª Sessão Ordinária em 18 de maio e da 16ª, em 1º de junho.

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Arquivo – Portal Umuarama News

A situação de Ademir ganhou outro desdobramento quando sua defesa apresentou pedido de licença por 40 dias, por interesse particular e sem remuneração. O parecer favorável passou pela Comissão de Justiça, Redação, Serviços e Obras Públicas, presidida pelo próprio Edinalvo, que também estava no comando interino da Câmara.

Em junho, a pressão política aumentou. Um morador protocolou pedido para abertura de procedimento destinado a apurar possíveis infrações político-administrativas e eventual quebra de decoro de Ademir. Como o titular estava licenciado, coube novamente a Edinalvo conduzir os trabalhos relacionados ao pedido.

Em 15 de junho, os vereadores aprovaram por unanimidade o recebimento da denúncia e a instauração de uma Comissão Processante para analisar os fatos e conduzir a apuração que poderia alcançar o mandato de Ademir.

O antigo presidente ainda foi condenado, em primeira instância, a 10 meses e 25 dias de detenção por embriaguez ao volante e resistência, referentes a uma ocorrência registrada em abril de 2025. A decisão admitia recurso e era independente da investigação de violência doméstica que provocou a crise política em 2026.

Agora, meses depois de assumir a responsabilidade de manter o Legislativo funcionando durante esse período turbulento, é justamente a sala ocupada pelo presidente em exercício que recebe uma diligência do Gaeco.

As buscas desta sexta-feira não significam, por si só, culpa ou condenação. Mas colocam novamente a Câmara de uma pequena cidade do Noroeste do Paraná sob os holofotes. O esclarecimento sobre o motivo da operação e o resultado das diligências será fundamental para definir a dimensão deste novo episódio.

CRISE POLÍTICA

Ademir Leite da Silva deixou de conduzir a Câmara após ter a prisão preventiva decretada em investigação envolvendo, em tese, descumprimento de medida protetiva, ameaça e lesão corporal contra a ex-companheira. Posteriormente, pediu licença de 40 dias, sem remuneração. Em junho, a Câmara aprovou a abertura de uma Comissão Processante para apurar possíveis infrações político-administrativas.

COMANDO INTERINO

Edinalvo Lima Venturi, do MDB, foi eleito vereador em 2024 com 239 votos e ocupava a vice-presidência da Câmara. Com a ausência de Ademir, passou a comandar os trabalhos legislativos, conforme prevê o Regimento Interno. Nesta sexta-feira, o Gaeco realizou buscas tanto na sala utilizada por ele na Câmara quanto em sua residência no distrito de Elisa. O motivo específico da diligência ainda não foi divulgado oficialmente.

 



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