sábado, 19 setembro 2026
UMUARAMA/PR

Ilha, cavalos pagos com dinheiro público, aposentadoria eterna: Requião Filho carrega as mordomias do pai

Ilha, cavalos pagos com dinheiro público, aposentadoria eterna: Requião Filho carrega as mordomias do pai

Histórico de benefícios envolvendo o ex-governador Roberto Requião volta ao debate eleitoral após o filho defender a aposentadoria vitalícia de R$ 42 mil recebida pelo pai

Em setembro de 2014, a Gazeta do Povo noticiava que policiais militares do Paraná concluíram um inquérito e descobriram que membros da corporação cuidavam de cavalos particulares do ex-governador Roberto Requião. Eles foram mantidos em unidades da Polícia Militar (PM), tratados com recursos públicos e cuidados por policiais entre 2003 e 2010. O custo total da mordomia chegou a R$ 6,7 milhões em recursos da época.

Os cavalos eram abrigados no Regimento de Polícia Montada; no Parque da Ciência, em Pinhais; no Haras Palmital, também em Pinhais; e no Haras Barigui, em Almirante Tamandaré. De acordo com o inquérito, a partir de julho de 2008, pelo menos seis policiais faziam guarda no Parque Canguiri em escalas de 24 horas de trabalho por 48 horas de folga.

Esse exemplo que hoje parece distante da realidade dos paranaenses ajuda a exemplificar como vivia Roberto Requião, pai do atual candidato a governador pelo PDT, Requião Filho.

O candidato também vive muito bem. Ele acumula R$ 1,8 milhão em bens, de acordo com sua declaração na Justiça Eleitoral. Entre eles há um imóvel de R$ 1,4 milhão no bairro Campo Comprido, um dos mais nobres de Curitiba, um carro da marca Audi e uma moto da marca BMW.

Casa oficial e ilha particular

A gestão de Roberto Requião foi um festival de mordomias pagas pelos paranaenses. Ele vivia em uma fazenda do Estado, a Granja Canguiri, com diversos empregados 24 horas à disposição, e tinha uma ilha própria para veraneio, a Ilha das Cobras. É difícil imaginar como o filho, que usa o exemplo do pai para tudo, vai tratar os bens públicos.

Em uma entrevista que está publicada no site da Banda B, o então governador Beto Richa, que depois sucedeu Requião, disse que ele chegou a ter 1,5 mil garrafas de vinho da Granja Canguiri, a famosa residência oficial onde ele dava festas e jantares e recebia políticos.

“E sem falar nos vinhos caríssimos doados por empreiteiros que ele tanto critica. Lá tem uma adega para 1,5 mil vinhos. Não sobrou nenhuma, ele levou todas as garrafas, mas cansei de ver em solenidades ele dizer que vinho nacional só serve para fazer sagu e temperar salada (…) Aquela história da carta de Puebla (opção preferencial pelos pobres) é só para inglês ver”, afirmou.

Já a Ilha das Cobras também recebeu Requião inúmeras vezes, segundo relatos publicados pela imprensa, inclusive em colunas sociais, o que denota o nível de circulação do ex-governador.

Na gestão de Ratinho Junior, a Granja Canguiri virou um centro educacional ligado ao Parque da Ciência e a Ilha das Cobras virou a Escola do Mar para apoiar a formação de jovens do Litoral em temas como hotelaria, gastronomia e turismo.

Defesa de aposentadoria vitalícia e luxos

Roberto Requião também é um entusiasta da aposentadoria vitalícia. Isso significa ter o direito de receber o teto máximo do Estado pelo resto da vida por quatro ou oito anos de trabalho. O Estado do Paraná recentemente acabou com a medida, fruto de uma PEC da gestão de Ratinho Junior, mas Requião apelou para o Poder Judiciário e agora ganha R$ 42 mil brutos por mês.

Em entrevista na RPC nesta semana, Requião Filho defendeu os valores recebidos pelo pai. Ao ser questionado se achava justo, o candidato disse que esse valor funciona como uma garantia para que quem chegou ao maior cargo do Executivo possa “fazer um governo austero”.

Família com imóveis em Miami

Depois do governo de Requião no Paraná, a família também passou por bons momentos de mordomia. O irmão dele, Eduardo Requião, que comandou o Porto de Paranaguá e acumula uma série de problemas de gestão e corrupção, tem dois filhos com apartamentos em Miami, conforme reportagem revelada pela RIC.

Eduardo Requião foi condenado a devolver R$ 26 milhões por irregularidades na contratação de serviços no Porto de Paranaguá. A decisão, de junho de 2018, foi do juiz Rafael Kramer Braga, da Vara da Fazenda Pública da cidade.



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