A campanha de Sergio Moro (PL), que vem tentando fazer colar a ideia de que a eleição para o Governo do Paraná será “resolvida” em primeiro turno, tomou uma rasteira da Quaest nesta quinta-feira (24). O levantamento, contratado pela RPC, diverge e muito dos números da Neokemp, também publicados nesta quinta, e da Paraná Pesquisas de 18 de setembro.
A Quaest colocou Sergio Moro com 36% das intenções de voto no primeiro turno, bem distantes dos 44,7% da Paraná Pesquisas e ainda mais longe dos 48,7% da Neokemp. Os dois levantamentos também teriam “inflado” os números de Requião Filho (PDT) para colocar Sandro Alex (PSD) em terceiro lugar. Na Quaest, Sandro e Requião estão empatados com 20%, com viés de alta para o PSD e de baixa para o PDT.
Mas o que os dois institutos de pesquisa têm em comum? Ambas têm como contratantes empresas fora do Paraná, com pessoas vinculadas, de alguma forma, ao senador e candidato do PL.
A Neokemp já divulgou pelo menos sete levantamentos sobre a disputa ao Governo do Paraná, entre abril e setembro deste ano. Em seis deles, a pesquisa foi contratada pelo jornal Correio do Povo, de Jaraguá do Sul, em Santa Catarina, cujo dono é ligado ao partido Novo, que compõe a chapa de Moro.
Além disso, os valores também levantam suspeitas. Enquanto o primeiro levantamento da Neokemp, contratado por um jornal de Ponta Grossa em abril, custou R$ 45 mil, os contratados pelo Correio do Povo custaram R$ 25 mil cada, com exceção da penúltima pesquisa, que custou o dobro, R$ 50 mil.
No caso do levantamento desta quinta-feira (24), o próprio site do veículo não deu destaque à própria pesquisa contratada sobre o Paraná, e sequer publicou reportagem sobre a disputa ao cargo de governador. Mas os resultados são sempre comemorados pelo candidato do PL, afirmando em entrevistas que “tudo indica que será no primeiro turno”.
Já o caso da Paraná Pesquisas é ainda mais “interessante”. O instituto é paranaense, mas o contratante vem de fora. Foram seis pesquisas sobre a corrida ao Governo do Estado em 2026, sendo que quatro foram contratadas pelo PL, partido de Moro, e duas pelo Diário do Poder, de Brasília, no Distrito Federal.
As quatro pesquisas contratadas pelo PL custaram, cada uma, R$ 135 mil. Em apenas uma delas Moro esteve abaixo dos 40%, e ainda assim, apareceu com 39,9%. Já a imprensa de Brasília está gastando menos por pesquisa. Foram R$ 80 mil no total, sendo R$ 40 mil cada uma. E nelas Sergio Moro “disparou”, ambas na faixa dos 45%.
O valor pago pelo Diário do Poder é menos de um terço do custo unitário dos levantamentos anteriores realizados pelo Paraná Pesquisa contratados pelo PL, mesmo com uma metodologia muito similar, com entrevistas pessoais, domiciliares e presenciais, questionário estruturado e amostra representativa do eleitorado paranaense, sem uma diferença expressiva no tamanho da amostra que explique a redução.
Mas aqui há um diferencial: a relação editorial entre o veículo de imprensa de Brasília e Moro. Em 2019, o colunista e editor-chefe do jornal, Cláudio Humberto, chamou Moro de “herói nacional”. Em abril de 2024, depois que Moro deixou a gestão Bolsonaro acusando o antigo aliado de interferir na Polícia Federal, ele foi entrevistado pelo podcast do Diário do Poder, em entrevista conduzida pelo próprio Cláudio Humberto.
Na época, o Diário do Poder abriu espaço para que Moro se defendesse a respeito do processo que pedia a cassação do seu mandato de senador por suspeitas de uso indevido dos meios de comunicação, compra de apoio político, arrecadação ilícita de recursos e suposto caixa dois durante a pré-campanha de 2022.
Metodologias
A pesquisa da Quaest foi contratada pela RPC e ouviu 804 eleitores de 16 anos ou mais entre os dias 20 e 23 de setembro. A margem de erro é de três pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O levantamento foi registrado na Justiça Eleitoral sob o número PR-02802/2026.
A pesquisa Neokemp desta quinta-feira (24) foi contratada pelo Correio do Povo e realizou 1.008 entrevistados entre os dias 22 a 23 de setembro. O nível de confiança é 95%, com margem de erro de 2,2 pontos percentuais. Ela foi registrada no TSE sob o número PR-07451/2026.
Já o levantamento da Paraná Pesquisas de 18 de setembro ouviu 1.280 eleitores entre os dias 15 e 17 de setembro. A margem de erro é de 2,8 pontos percentuais, para mais ou para menos, e o índice de confiança é de 95%. O levantamento foi contratado pela empresa Sedek (Diário do Poder) e está registrado com o número PR-01022/2026.


