A equipe da campanha de Sergio Moro (PL) ao governo do Paraná contratou um hotel pertencente ao próprio candidato a vice-governador da chapa, Edson Vasconcelos (PL), para acomodar dois assessores. A hospedagem custou R$ 735 e ocorreu em 26 de agosto, em Cascavel. A informação foi publicada pelo jornalista Eduardo Barretto, da do Estadão, com base em dados da prestação de contas enviados ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
A contratação colocou um estabelecimento ligado ao companheiro de chapa de Moro entre os fornecedores remunerados pela campanha. O pagamento foi destinado ao Hotel Ibis Colivas, cuja propriedade está vinculada a Vasconcelos, conforme os registros da Receita Federal citados na reportagem. A empresa também aparece na declaração de bens apresentada pelo candidato a vice à Justiça Eleitoral.
Ainda segundo a apuração de Barretto, a V & V Holding, ligada à família Vasconcelos, participa da sociedade do hotel. Assim, a decisão da equipe de campanha direcionou uma despesa de hospedagem a um empreendimento que integra o patrimônio empresarial do próprio vice. O registro do pagamento permite identificar o fornecedor, o valor e os beneficiários da estadia.
Os quartos foram utilizados por Bruno Mudryk e Victor de Souza, integrantes da equipe de Moro que mantinham vínculos recentes com o gabinete do senador. De acordo com a publicação, Mudryk recebe R$ 12,4 mil mensais no Senado e estava de férias, período em que passou a trabalhar voluntariamente na campanha. Souza recebia salário de R$ 8,4 mil e deixou o cargo em agosto.
Na resposta encaminhada ao Estadão, a campanha identificou o segundo assessor como Victor Coutant e informou que sua exoneração ocorreu em 17 de agosto. Segundo o comunicado, ele passou a integrar a equipe eleitoral naquela mesma data. Sobre Mudryk, a campanha declarou que as férias eram regulamentares e que a doação de trabalho voluntário foi registrada na Justiça Eleitoral.
Questionada sobre a escolha do hotel do vice, a campanha atribuiu a contratação à falta de vagas em outros estabelecimentos de Cascavel. A justificativa apresentada foi a realização do 14º Encontro Estadual de Produtoras Rurais e de outros eventos, que teriam levado a rede hoteleira à lotação máxima. Conforme a equipe, o Ibis Colivas era o único hotel com disponibilidade naquele momento.
A defesa também sustentou que os R$ 735 correspondiam aos preços médios praticados na região naquele período e que a despesa foi registrada na prestação de contas. Negou relação entre a hospedagem e atividades funcionais no Senado, além de afirmar que não houve irregularidade ou conflito na contratação.
O ponto central revelado pela reportagem é a escolha feita pela equipe: pagar pela acomodação de assessores em um negócio do vice da própria chapa. O material apresentado não informa decisão da Justiça Eleitoral sobre essa despesa.


