A cobrança contra Filipe Barros veio de dentro do próprio PL. Em vídeo publicado no Instagram, Luiz Mestiço, candidato a deputado estadual e ex-prefeito de Assaí, pede que os eleitores não elejam o correligionário senador e questiona a distribuição de recursos de campanha. A unidade partidária ganhou um inconveniente: um aliado cobrando contas sobre dinheiro público.
Mestiço afirma que a direção nacional transferiu R$ 50 milhões do fundo eleitoral para o Paraná e acusa Barros, apresentado por ele como presidente estadual da legenda, de não cumprir compromissos com a maioria dos candidatos. Ao falar sobre os recursos, usa a expressão “o dinheiro sumiu”. Trata-se de uma acusação do candidato: o vídeo não apresenta comprovação de desvio ou desaparecimento desse montante.
Segundo Mestiço, uma notificação extrajudicial foi enviada para cobrar explicações sobre o descumprimento do combinado, mas não teria sido respondida até a gravação. Ele também anuncia que pretende encaminhar uma representação ao Ministério Público Eleitoral para pedir investigação. O anúncio, porém, não comprova que a representação já tenha sido protocolada ou que exista procedimento aberto.
Assista ao vídeo:
A ironia aparece quando o candidato atribui o silêncio de outros integrantes do partido à expectativa de obter cargos. Em sua versão, a conveniência política estaria segurando reclamações que deveriam ser públicas. A acusação desenha um ambiente em que a coragem de palanque encolhe quando a conversa chega à distribuição da verba.
Mestiço contesta articulações municipais em Assaí. Afirma que Barros interferiu na direção local do PL e favoreceu um primo em uma aliança com o prefeito, a quem acusa de ser de esquerda. Os episódios integram sua crítica, sem documentação suficiente no vídeo para confirmar todas as alegações.
Apesar do ataque, Mestiço mantém apoio a Sergio Moro para governador e a Flávio Bolsonaro para presidente. Ao final, pede que sejam desconsiderados seus pedidos anteriores de voto em Barros. A ruptura anunciada tem endereço certo: a candidatura ao Senado.
O próprio autor admite rever a posição. Diz que, se Barros explicar a destinação dos recursos e demonstrar que tudo está conforme a lei, pedirá desculpas e votará nele. A ressalva importa: cobrar transparência não equivale a comprovar irregularidade. Sem os documentos dos repasses, a notificação mencionada e a versão de Barros sobre este vídeo, a acusação exige apuração. O dinheiro público merece contas claras; a denúncia, provas.


