sexta-feira, 2 outubro 2026
UMUARAMA/PR

Moro e Deltan repetem dobradinha que implodiu a Lava Jato após revelação de conluio entre juiz e procurador

Moro e Deltan repetem dobradinha que implodiu a Lava Jato após revelação de conluio entre juiz e procurador

Moro recebeu mais de R$ 3,7 milhões pelo período em que trabalhou para a consultoria, entre remuneração e bônus. A Alvarez & Marsal informou posteriormente que havia recebido R$ 65,1 milhões de empresas envolvidas na Lava Jato em trabalhos de administração judicial.

Sergio Moro (PL) chega à reta final da disputa pelo Governo do Paraná em 2026 ao lado de Deltan Dallagnol (Novo), repetindo a dobradinha que marcou a Lava Jato em Curitiba e que acabou implodida por uma série de decisões judiciais após a revelação das relações indevidas entre o então juiz e o procurador. As mensagens da “Vaza Jato” mostraram que Moro orientou integrantes do Ministério Público e discutiu com eles estratégias da acusação.

Pelas leis brasileiras, o juiz não pode “combinar o jogo” com uma das partes, orientar a estratégia de quem acusa ou trabalhar para construir o resultado de um processo que ele mesmo julgará. O próprio STF reconheceu a parcialidade de Moro no caso do tríplex e, em decisões posteriores, apontou uma atuação coordenada entre o ex-juiz e a força-tarefa, levando à anulação de atos e processos da Lava Jato que atingiram nomes como Lula, José Dirceu e Antonio Palocci.

Entre os casos que ajudam a dimensionar o alcance das irregularidades está o de Marcelo Odebrecht. Em 2024, o STF anulou todos os atos da Lava Jato contra o empresário e afirmou que integrantes da operação haviam atuado em conluio, ignorando o devido processo legal, o contraditório e a ampla defesa. Segundo a decisão, os diálogos entre magistrado e procuradores mostravam uma mistura entre as funções de acusação e julgamento.

É justamente aí que a trajetória de Moro ganha um capítulo ainda mais controverso.

Conflito de interesses

Poucos meses depois de deixar a magistratura, Moro foi contratado pela Alvarez & Marsal, consultoria que atuava na administração judicial de empresas atingidas pela Lava Jato, entre elas a Odebrecht. A contratação ocorreu depois de Moro deixar o Ministério da Justiça, em abril de 2020, acusando o então presidente Jair Bolsonaro de interferência na Polícia Federal.

Moro recebeu mais de R$ 3,7 milhões pelo período em que trabalhou para a consultoria, entre remuneração e bônus. A Alvarez & Marsal informou posteriormente que havia recebido R$ 65,1 milhões de empresas envolvidas na Lava Jato em trabalhos de administração judicial.

A proximidade entre as duas pontas da história chamou a atenção do Tribunal de Contas da União. O TCU abriu procedimento para apurar possível conflito de interesses envolvendo a contratação porque Moro havia sido responsável por processos da Lava Jato e passou a trabalhar para uma consultoria que atuava na recuperação judicial de empresas atingidas pela operação. O STF também autorizou o compartilhamento com o tribunal de mensagens obtidas na Operação Spoofing para subsidiar a apuração.

Moro afirmou que seu contrato o “impedia de atuar para empresas envolvidas na Lava Jato” e que trabalhava em uma área separada da consultoria.



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