quarta-feira, 16 setembro 2026
UMUARAMA/PR

Nova fase da Operação Força e Honra prende empresário e oficial da PM em Umuarama 

Nova fase da Operação Força e Honra prende empresário e oficial da PM em Umuarama 

Empresário usou até a mãe como laranja para comprar casa que seria produto do pagamento de propina. O imóvel, localizado em condomínio de luxo, era destinado a um dos envolvidos no esquema 

Ministério Público do Paraná, em conjunto com a Polícia Militar, com apoio da Receita Estadual, deflagrou na manhã de quinta-feira, 1º de setembro, uma nova etapa da Operação Força e Honra. Iniciada no ano passado, a investigação trata de crimes diversos, como corrupção e desvio de bens apreendidos por um empresário e policiais rodoviários estaduais. Foram cumpridos dois mandados de prisão preventiva, cinco mandados de suspensão do exercício da função de policiais rodoviários e 18 mandados de busca e apreensão nas cidades de Altônia, Guaíra, Iporã, Marechal Cândido Rondon, Palotina e Umuarama. 

As ordens de busca foram executadas em 11 residências (seis em Umuarama, duas em Guaíra e três em Iporã), duas empresas em Umuarama e cinco repartições policiais relacionadas às atividades ou lotações dos investigados (Umuarama, Iporã, Altônia, Palotina e Marechal Cândido Rondon). As prisões preventivas foram cumpridas contra o empresário Eder Paulo Furtozo ‘Paulinho’, dono da loja de vendas de pneus e recapagem chamada Paulinho Pneus e contra o policial rodoviário estadual capitão Benito Petrelli Garcia, lotado atualmente no 25º Batalhão da PM em Umuarama. 

Os dois já haviam sido indiciados na primeira etapa da operação, mas seguiram com o esquema de propina. Foram apreendidos celulares, computadores e outros equipamentos eletrônicos, além de documentos e dinheiro. 

 Vistas Grossas 

Segundo levantamento do Ministério Público, Paulinho seria o intermediador das negociações ilícitas desenvolvidas pelo grupo, repassando os valores arrecadados a policiais rodoviários lotados no Posto da PRE de Iporã.  

Por conta disso, outros quatro policiais rodoviários foram alvos desta nova fase da Operação Força e Honra. Além do capitão (preso), também foram afastados dois cabos, um sargento e um sargento da Rotam Rodoviária. 

O pagamento da propina era feito para que os agentes de segurança fizessem vistas grossas ao transporte de produtos contrabandeados, como pneus, cigarros, entre outros. 

 Família envolvida 

Ainda de acordo com o Ministério Público, os supostos pagamentos ocorriam nos postos policiais ou nas empresas ligadas a Paulinho, sendo que, na sua ausência, o irmão do empresário era quem os fazia o repasse dos recursos ilícitos. 

Existem indícios de que as propinas também eram entregues através do pagamento de despesas dos policiais, especialmente em relação ao capitão Benito, que mandava boletos para que Paulinho efetuasse os pagamentos (grande parte relacionados à construção de um imóvel no condomínio residencial Green Park). O empresário preso também pagava despesas da empresa Transportadora M.M.C.E. Ltda, pertencente à esposa de Benito. 

Em tese, foram encontradas evidências de que Paulinho simulou a compra da residência do capitão Benito, utilizando para isso, como laranja, sua própria mãe.  

Consequência 

Os mandados foram expedidos pelo Juízo da Vara da Auditoria Militar de Umuarama e a prisão preventiva do empresário, pelo Juízo da 1ª Vara Criminal de Umuarama. As investigações da Operação Força e Honra são conduzidas no MPPR pelo Núcleo de Cascavel do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e pelo Núcleo de Umuarama do Grupo Especializado na Proteção do Patrimônio Público e no Combate à Improbidade Administrativa (Gepatria). 

A ação promovida nesta quinta-feira decorre da análise de apreensões da primeira fase da investigação, deflagrada em julho do ano passado, quando foram encontrados indícios de atuação de policiais rodoviários do Posto de Polícia de Iporã no recebimento sistemático de propinas pagas por empresário do ramo de pneus para a passagem de veículos com mercadorias provenientes do Paraguai. As investigações revelam possível lavagem de dinheiro proveniente de corrupção, inclusive com a simulação de compra e venda de uma residência. 

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