sexta-feira, 18 setembro 2026
UMUARAMA/PR

Dias Toffoli determina ‘nulidade absoluta’ de processos contra ex-governador Beto Richa

Dias Toffoli determina ‘nulidade absoluta’ de processos contra ex-governador Beto Richa

O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a nulidade absoluta de todos os atos praticados contra o ex-governador Beto Richa (PSDB), atualmente deputado federal, em processos da Lava Jato e das operações Rádio Patrulha, Piloto, Integração e Quadro Negro.

A determinação de Dias Toffoli inclui também a nulidade de decisões proferidas pelo ex-juiz e atual senador Sergio Moro (União Brasil), quando ele atuou na 13ª Vara Federal de Curitiba, em fase pré-processual.

A decisão é desta terça-feira (19) e atende um pedido apresentado pela defesa de Richa.

Conforme a decisão de Toffoli, ficou determinado, como consequência, o trancamento das persecuções penais instauradas contra Richa nas respectivas operações.

O que investiga cada operação:

  • Operação Quadro Negro: investiga desvio de dinheiro de obras de escolas do Paraná;
  • Operação Rádio Patrulha: Investiga esquema de desvio de dinheiro em obras de recuperação de estradas rurais do estado;
  • Operação Piloto: Aponta irregularidades em obras de duplicação da PR-323;
  • Operação Integração: Investiga irregularidades em concessões de rodovias federais do Paraná;
  • Operação Spoofing: Investiga crimes cibernéticos, como o grupo acessou contas de Telegram de autoridades.

No pedido de Richa, a defesa alega que houve atuação ilegal e parcial de procuradores e membros da Lava Jato, incluindo Moro; do ex-procurador da Lava Jato e ex-deputado federal Deltan Dallagnol (Podemos) e o então procurador Diogo Castor de Mattos.

No caso específico do ex-juiz, Richa alegou que ele “agiu de forma absolutamente parcial e ativa na condução dos processos da Operação Lava Jato.”

Na decisão, Toffoli destacou uma citação de Richa, que fala que houve atuação ilícita na Lava Jato, e que diálogos obtidos na Operação Spoofing evidenciaram uma “atuação coordenada entre a força tarefa e o ex-juiz Sergio Moro, na tentativa de incriminar o requerente mesmo antes de haver denúncias formuladas contra ele no âmbito das Operações Integração e Piloto”.

Para o ministro, “se revela incontestável o quadro de conluio processual entre acusação e defesa em detrimento de direitos fundamentais do requerente, como, por exemplo, o due process of law [devido processo legal], tudo a autorizar a medida que ora se requer.”

Beto Richa disse que está feliz com a decisão de trancar todas as operações que, segundo ele, era acusado e investigado injustamente. Disse ainda que sofreu com as acusações e com linchamento público.

VEJA A NOTA NA ÍNTEGRA:

Sempre acreditei que esse dia chegaria. Finalmente está comprovado o que venho dizendo há anos. Sou inocente de todas as acusações injustas que me fizeram. E quem decidiu isso foi a Suprema Corte, que anulou todas as ações e investigações contra mim. Não existia sequer meia prova.

Ficou evidente na decisão a ausência de mínimos indícios. Fui, na verdade, vítima de uma ação criminosa da Lava Jato. Me tornei alvo de um grupo que se utilizou da manipulação processual para criminalizar a política. Um grupo que, na verdade, não buscava combater a corrupção, e sim conquistar o poder eliminando aqueles que escolhiam como adversários a serem abatidos.

A decisão da Suprema Corte afirma cabalmente que era “incontestável o quadro de conluio processual” para me perseguir. Fico feliz com essa decisão.

Confiei na Justiça e na lei para restabelecer a verdade. E a verdade veio à tona. Sou inocente.

Fica o prejuízo político, a dor pessoal e o sofrimento familiar que essas ações provocaram. Me submeteram a um linchamento moral, execração e humilhação pública.

Isso não dá para esquecer.

Mas nunca desisti. Era questão de honra provar minha inocência e defender o legado da família Richa. Enfrentei tudo, me elegi deputado federal. Agradeço do fundo do coração os que confiaram em mim.

 

(g1 e redação)



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