

Um jornalista registrou um boletim de ocorrência na tarde desta quinta-feira (5) alegando ter sido agredido por um irmão do vereador Homero Marchese (PV) durante a sessão ordinária da manhã desta quinta-feira, na Câmara de Maringá, no norte do Paraná.
A sessão desta quinta-feira foi tumultuada por conta votação da abertura de uma Comissão Processante contra Marchese. Os vereadores aprovaram, por 11 votos a 3, a investigação que pode levar à cassação do mandato do parlamentar.
Imagens do circuito interno de monitoramento do Legislativo mostram o blogueiro Ângelo Rigon levando um tapa de um homem.
Segundo o jornalista, naquele momento ele estava tentando fotografar uma pessoa que o agrediu com uma voadora, conforme o boletim, antes de levar o tapa.
No boletim de ocorrência, o jornalista identificou o agressor que aparece nas imagens como Otávio Marchese, engenheiro agrônomo e irmão do vereador Homero. Ainda conforme o registro da ocorrência, Rigon diz que teve um celular roubado.
A RPC Maringá tentou contato com o vereador e o irmão dele, mas eles não quiseram se manifestar.
Em nota, o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Norte do Paraná e a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) repudiaram o episódio envolvendo o jornalista.
Veja a íntegra da nota
Nota de repúdio às agressões e furto contra jornalista
O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Norte do Paraná e a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) repudiam e condenam as agressões e furto contra o jornalista Ângelo Rigon durante votação na Câmara de Maringá que deliberava sobre abertura de Comissão Processante contra o vereador Homero Marchese.
Rigon relata que deixava a galeria do Plenário Ulisses Bruder, quando um rapaz de cabelos grisalhos aplicou contra ele um golpe que combina pulo e chute, conhecido como “voadora”, na entrada da galeria. Essa pessoa, que foi identificada por testemunhas como Otávio Marchese, irmão do vereador Homero Marchese, retornou ao plenário e voltou a agredir Rigon fisicamente na frente de dezenas de pessoas. Na fuga testemunhas relatam que Otávio Marchese fugiu do plenário levando o iPhone de Rigon, instrumento de trabalho que havia caído no chão durante a agressão.
A prática de ataques físicos a jornalistas está se tornando um hábito nefasto, que fere o direito à informação e espelha o ódio e o desrespeito cada vez mais presentes em determinados segmentos da sociedade.
O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Norte do Paraná e a Fenaj reiteram que a prática da violência nada acrescenta à informação devida à população, função inerente ao trabalho dos jornalistas e um dos pilares de sustentação da democracia brasileira. Ao atacar o jornalista, o agressor demonstra que possui princípios que vão contra o sagrado direito que o cidadão tem à informação, que não pode ser cerceado de nenhuma forma.
O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Norte do Paraná e a Fenaj também condenam qualquer ato de violência contra jornalistas e demais trabalhadores, sejam agressões vindas de autoridades ou de populares, seja o abuso físico ou moral.
A liberdade de imprensa é um marco pelo qual o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Norte do Paraná e a Fenaj sempre lutaram, pois foi graças à livre expressão que o país obteve conquistas relevantes para o florescimento, a manutenção e a evolução da democracia brasileira.
Fonte: G1



