Requião Filho (PDT) costuma dizer em entrevistas que vai repetir o modelo de valorização dos servidores públicos adotado nos governos do seu pai, Roberto Requião (PDT). O discurso, porém, contrasta com a realidade do período: entre 2003 e 2010, professores, servidores da saúde e policiais protagonizaram greves, paralisações e protestos por reajustes, planos de carreira, jornada de trabalho e melhores condições de serviço. Em diferentes episódios, o governo respondeu com ameaças de corte de salários, críticas aos movimentos e declarações duras contra as categorias.
O histórico é marcado por episódios em que a relação entre o Governo Requião e os servidores chegou ao confronto aberto. Professores fizeram sucessivas mobilizações, profissionais da saúde chegaram a realizar greve de fome dentro da Secretaria da Saúde e policiais civis ameaçaram e deflagraram movimentos grevistas. Em mais de uma ocasião, o próprio Requião elevou o tom contra os servidores, chegando a ameaçar demissões em massa caso houvesse paralisações.
Uma das categorias que mais entrou em choque com o governo foi a dos professores. Em 2004, docentes da rede estadual realizaram manifestações e paralisações em meio a cobranças pelo cumprimento de compromissos relacionados à carreira e à remuneração. Naquele período, Requião atacou publicamente o movimento e classificou os professores que protestavam como “ingratos”.
Em outra declaração, o governador afirmou que os professores deveriam “construir uma estátua em sua homenagem” em vez de realizar manifestações contra sua administração. O governo também ameaçou descontar dos salários os dias parados.
A tensão voltou a aparecer nos anos seguintes. Em 2006, professores e funcionários de escolas realizaram protestos em Curitiba cobrando reajuste salarial e avanços no plano de carreira. Em 2008, a categoria voltou às ruas e ameaçou uma nova greve geral diante das negociações com o governo.
Cortes nos contracheques da saúde
Na Saúde, o conflito chegou a situações ainda mais dramáticas. Em 2007, servidores protestaram contra a decisão do governo de ampliar de 30 para 40 horas semanais a jornada de trabalho.
Cerca de 500 funcionários tiveram descontos nos salários por não cumprir a nova carga horária. Quatro servidoras chegaram a fazer greve de fome durante 48 horas dentro da Secretaria da Saúde. As servidoras queriam negociar diretamente com o governo, mas não foram recebidas pelo secretário da Saúde. A mobilização terminou apenas depois de dois dias de protesto.
O conflito atingiu também hospitais. Em junho de 2007, servidores do Hospital do Trabalhador fizeram uma paralisação de advertência contra descontos salariais. O sindicato relatou casos de cortes de R$ 100 a R$ 500 nos contracheques.
Policiais ameaçados a “irem pra rua”
Os policiais civis também entraram em confronto com o governo. Em 2005, a categoria fez operação-padrão e chegou a anunciar greve para cobrar reajuste, plano de carreira e melhores condições de trabalho. A categoria alegava defasagem salarial superior a 100% e falta de efetivo.
No fim do segundo mandato, o conflito voltou a explodir. Em 2010, mais de 3,2 mil policiais civis decidiram entrar em greve. Entre as reivindicações estavam contratação de profissionais, melhores condições de trabalho, plano de cargos e salários e reajuste.
A resposta de Requião foi uma ameaça direta aos servidores. Ao comentar a possibilidade de paralisação de policiais civis e agentes penitenciários, afirmou: “Se quiserem brincar com o governo do Estado, vão se dar muito mal”. Em seguida, completou: “Ponho todos na rua e abro rapidamente um concurso público”.


