quinta-feira, 24 setembro 2026
UMUARAMA/PR

Escândalo do desvio de dinheiro de aposentados colocou presidente do partido de Requião Filho no centro das investigações

Escândalo do desvio de dinheiro de aposentados colocou presidente do partido de Requião Filho no centro das investigações

Questionado sobre os descontos indevidos no INSS, Requião Filho defendeu Carlos Lupi, presidente do PDT e ex-ministro da Previdência

O escândalo dos descontos indevidos em aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) veio à tona durante o governo Lula (PT). Foram identificados um aumento expressivo do número de entidades autorizadas a descontar mensalidades diretamente dos benefícios e o aumento dos valores cobrados.

O caso voltou ao debate público após uma sabatina realizada pela RPC com o candidato ao Governo do Paraná pelo PDT, Requião Filho. Ele foi questionado pelos jornalistas sobre a sua relação com o presidente nacional de seu partido, Carlos Lupi, que estava à frente do INSS na época em que o escândalo foi descoberto, pedindo demissão dias depois da Operação Sem Desconto, da Polícia Federal e da Controladoria-Geral da União (CGU).

O candidato abordou o assunto rapidamente, afirmando que “se deve, que pague” e  que “se há denúncia, tem que ser investigado, a gente não passa pano para ninguém”. Entretanto, Requião Filho defendeu Lupi, afirmando que o escândalo é anterior à gestão do presidente de seu partido no Ministério da Previdência e de que foi ele quem trouxe o caso à tona.

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Requião Filho ingressou no PDT em julho de 2025, em ato conduzido pelo próprio Lupi e após o escândalo do INSS ter estampado as manchetes dos veículos de imprensa de todo o País. “O PDT tem no Paraná uma base, ele tem uma história. Ele tem uma formação partidária um pouco diferente dos demais partidos. Ele já tem uma pedra na qual a gente pode se apoiar para continuar construindo. Essa fundação é muito importante, de construir cada vez mais um partido”, disse Requião Filho no ato de filiação. “A filiação no PDT se torna uma escolha fácil, e, acredito eu, correta e o mais perene possível.”

Em junho de 2026, Lupi esteve em Curitiba e participou do lançamento da pré-candidatura de Requião Filho ao Governo do Paraná, mostrando proximidade com o deputado estadual e com seu pai, Roberto Requião, que também se filiou ao partido e disputa uma cadeira na Câmara Federal.

Mas a fraude nos descontos do INSS e a proximidade da família Requião com pessoas envolvidas no caso não acabam apenas no PDT. O escândalo ocorreu no governo do PT, partido do presidente Lula e que integra a chapa de Requião Filho ao Governo do Paraná. Lula inclusive esteve em Curitiba no dia 12 de setembro, onde realizou um comício ao lado de Requião Filho. A candidata ao Senado, Gleisi Hoffmann (PT), também foi ministra de Lula quando as fraudes na previdência foram alvo de operação.

A ligação partidária coloca o caso do INSS no contexto da campanha de Requião Filho porque Lupi, diretamente relacionado à gestão da Previdência no período em que as denúncias foram apresentadas, é dirigente nacional do mesmo partido do candidato. O apoio do PT, no qual o escândalo foi tornado público e que teve milhares de aposentados com descontos indevidos em sua gestão, também.

A fraude no INSS foi descoberta após auditorias em 29 entidades e entrevistas com 1,3 mil aposentados mostrarem que a maioria dos beneficiários não havia autorizado os descontos em seus benefícios. A CGU também constatou que 70% das entidades analisadas não haviam apresentado ao INSS toda a documentação exigida. Os descontos indevidos em benefícios do INSS movimentou cerca de R$ 6,3 bilhões entre os anos de 2019 e 2024.

Nesse período de seis anos, o esquema envolveu não só o PT, mas também a gestão Bolsonaro. Na prática, outro candidato ao Governo do Paraná também está envolvido, inclusive mais diretamente. Sergio Moro (PL), enquanto ministro da Justiça, tomou conhecimento sobre os descontos indevidos ainda em 2019, mas nada fez para frear e investigar a fraude. Ele deixou o cargo em abril de 2020, sem informar as autoridades sobre o caso.

E o modo de lidar com as denúncias na gestão de Moro como ministro também foi seguido por Lupi, que afirmou, em depoimento, ter conhecimento prévio de denúncias sobre as irregularidades. Reportagem da Folha de S.Paulo mostrou em ata de reunião do Conselho Nacional de Previdência Social, realizada em junho de 2023, que Lupi foi informado sobre reclamações relacionadas a descontos indevidos.

A cronologia passou a ser um dos principais pontos de questionamento sobre a gestão da Previdência. Lupi recebeu alertas sobre irregularidades antes da Operação Sem Desconto, que só foi deflagrada pela PF e pela CGU em abril de 2025. O caso ganhou repercussão política porque o então ministro permaneceu à frente da Previdência durante o período em que as denúncias e auditorias avançaram.

Após a operação, o presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, também do PDT, deixou o cargo. Lupi pediu demissão do Ministério da Previdência em 2 de maio de 2025, pouco mais de uma semana depois da operação policial. Em setembro daquele ano, ele prestou depoimento à CPMI do INSS e afirmou que não tinha conhecimento da dimensão das fraudes antes do avanço das investigações, mesmo tendo sido alertado sobre o crescimento nos descontos sem autorização de aposentados e beneficiários.

Após a Operação Sem Desconto, o governo federal suspendeu os acordos com entidades associativas que permitiam os descontos e interrompeu os repasses. A Advocacia-Geral da União (AGU) passou a adotar medidas judiciais para bloquear recursos e buscar o ressarcimento dos aposentados e pensionistas prejudicados. Em uma das primeiras ações, a AGU pediu o bloqueio de R$ 2,56 bilhões de associações suspeitas de envolvimento nas fraudes.

O caso também avançou no Congresso Nacional com a instalação da CPMI do INSS, que passou a investigar as fraudes e a atuação de autoridades, servidores e entidades relacionadas ao sistema de descontos.



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