Um incêndio que terminou com um homem morto por carbonização em Moreira Sales levou o Ministério Público do Paraná (MPPR) a oferecer denúncia criminal contra uma mulher de 42 anos. Apresentada pela 1ª Promotoria de Justiça de Goioerê, a acusação aponta que ela ateou fogo à residência onde o namorado morava, mas atingiu fatalmente um amigo dele, que dormia no imóvel.
O crime ocorreu na madrugada de 28 de agosto, no distrito de São Luiz. A vítima estava hospedada temporariamente na casa e foi surpreendida pelas chamas durante o repouso. Conforme a denúncia, o ataque foi motivado por ciúmes e aconteceu depois de uma discussão entre a mulher e o namorado em via pública.
Segundo o Ministério Público, a denunciada ameaçou o companheiro momentos antes de provocar o incêndio. A intenção atribuída a ela era matá-lo. Entretanto, quem morreu foi o hóspede, transformando a residência em cenário de uma tragédia que também colocou a vizinhança em risco.
A mulher foi denunciada por homicídio qualificado. A Promotoria apontou como qualificadoras o motivo fútil, o emprego de meio cruel, a utilização de meio que resultou em perigo comum e o recurso que dificultou a defesa da vítima.
Para a acusação, o contexto de ciúmes caracteriza o motivo fútil. O uso do fogo fundamenta a indicação de meio cruel, enquanto o risco imposto aos imóveis e moradores próximos sustenta a qualificadora relacionada ao perigo comum.
Outro ponto destacado é a condição em que o homem foi atingido. Ele dormia quando as chamas tomaram a residência, circunstância que, segundo a denúncia, dificultou sua possibilidade de defesa. O período noturno e a surpresa do ataque integram a fundamentação apresentada pela Promotoria.
Diante dos fatos, o Ministério Público requer que a acusada seja julgada pelo Tribunal do Júri. Também pede a manutenção de sua prisão preventiva. A mulher permanece recolhida na Cadeia Pública de Goioerê.
A denúncia inclui ainda um pedido de fixação de indenização mínima de R$ 50 mil por danos morais. O valor, caso determinado pela Justiça, deverá ser destinado aos familiares do homem morto no incêndio.
A apresentação da denúncia formaliza a acusação do Ministério Público e não representa uma condenação. Caberá à Justiça analisar os pedidos e a responsabilidade criminal da denunciada pelo episódio ocorrido em São Luiz.


