quinta-feira, 17 setembro 2026
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‘Angústia’, relata irmão de brasileiro que desapareceu há 5 meses ao tentar entrar nos EUA

‘Angústia’, relata irmão de brasileiro que desapareceu há 5 meses ao tentar entrar nos EUA

Reprodução Facebook
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“Angústia, o sofrimento, só vêm aumentando”, diz Robson Pereira, irmão de Sérgio Castelhani e cunhado de Rosinéia Vaz Pereira, que estão entre os 12 brasileiros que desapareceram ao tentar entrar ilegalmente nos Estados Unidos pelo mar das Bahamas. O último contato do casal com a família foi feito há cinco meses, em 6 de novembro de 2016, mesma data em que os familiares dos outros desaparecidos acionaram o Itamaraty.

“Estamos indo”, dizia a última mensagem de Rosinéia enviada pelo telefone celular, segundo Robson. Desde então, eles não receberam mais notícias.

O casal morava em Goioerê, no noroeste do Paraná. Robson contou que o irmão trabalhava como caminhoneiro e que Rosinéia trabalhava em uma loja da cidade. Eles pagaram R$ 30 mil pela viagem, segundo os familiares.

Em entrevista ao G1, nesta quinta-feira (6), Robson contou que a família não tem nenhuma novidade. “A coisa está parada, do mesmo jeito”, lamentou.

Entre as iniciativas após o desaparecimento dos brasileiros, está a criação de uma comissão para acompanhar as investigações na Câmara dos Deputados, em Brasília (DF).

“Já foi chamado o Itamaraty, a Polícia Federal (PF) [para falarem à comissão], mas essas duas entidades só foram lá para falar mentiras”, relatou Robson, sem detalhar o que os representantes dos órgãos falaram.

“Eu tenho contato com os demais familiares do grupo, todos sofrendo bastante. E a incompetência da PF e do Itamaraty ainda continua. É um absurdo”, critica o irmão de Sérgio.

Em nota, o Itamaraty informou que o Ministério das Relações Exteriores acompanha o caso desde novembro de 2016. No entanto, até o momento, não há informação sobre o paradeiro dos brasileiros.

“Atualmente, trabalha-se com o dado de 12 brasileiros cujo paradeiro é desconhecido por suas famílias desde 6 de novembro de 2016”, informou o Itamaraty. Relatos anteriores indicavam que 19 pessoas estavam desaparecidas.

Além disso, a nota afirma que a Divisão de Assistência Consular está com contato com os familiares do grupo desaparecido.

“Informações fornecidas pelo grupo à Divisão de Assistência Consular têm sido retransmitidas à Polícia Federal e às representações brasileiras em Miami, Nassau e Washington, de modo a buscar auxiliar nas investigações em curso”, diz a nota. Veja a nota completa no fim da reportagem.

A Polícia Federal não vai se manifestar.

Comissão na Câmara dos Deputados

O deputado federal Reginaldo Lopes (PT/MG), coordenador da Comissão Externa criada na Câmara dos Deputados para acompanhar a investigação do caso, disse que existem três hipóteses para o desaparecimento dos brasileiros.

“Tem a tese de que eles podem ter sido assassinados lá, a tese de que eles podem estar presos e a tese do naufrágio”, relatou.

Para Lopes, a tese do naufrágio é uma das menos prováveis, considerando a cronologia das mensagens trocadas pelos desaparecidos com os familiares e as condições do mar das Bahamas nos dias em que eles supostamente estariam no mar.

“A tese do naufrágio é muito conveniente para muita gente. Ela é conveniente pros ‘coiotes’, porque incidentes acontecem, tragédias, né? Ela é conveniente para as autoridades brasileiras que não fizeram nada”, afirmou Lopes.

Como as autoridades brasileiras não foram às Bahamas, conforme o deputado, os membros da comissão pretendem ir até o país depois da realização das duas últimas audiências.

Para a primeira audiência, em 18 abril, os deputados convidaram o delegado federal que coordenou a Operação Piratas do Caribe, que busca desarticular uma organização criminosa de ‘coiotes’ responsável por levar brasileiros ilegalmente para os Estados Unidos. Uma agente da PF também foi convidada.

Em 25 de abril os familiares das pessoas desaparecidas serão ouvidas pela comissão.

“Nós temos que dar uma resposta aos familiares”, acredita Lopes.

Casal paranaense desaparecido

Sérgio e Rosinéia saíram de Goioerê em 27 de outubro, com destino a São Paulo. Depois eles seguiram para Belo Horizonte, onde encontraram o “coiote” e, em seguida, foram para o Panamá. Depois eles foram para as Bahamas.

A embarcação onde estariam brasileiros saiu da capital das Bahamas, Nassau, e percorreria uma distância de aproximadamente 300 km para chegar a Miami.

Veja o roteiro do casal, segundo o irmão de Sérgio:

27 de outubro – saíram de ônibus de Goioerê, no noroeste do Paraná, para São Paulo.

28 de outubro – chegaram em São Paulo e pegaram um avião para Belo Horizonte, onde encontraram o “coiote”. À noite, foram para o Panamá. No mesmo dia, saíram com destino às Bahamas.

29 de outubro – Chegaram às Bahamas.

31 de outubro – mandaram mensagem falando que estava tudo bem.

2 de novembro – em novas mensagens, falaram à família que estava tudo bem. Foi a última mensagem que Robson recebeu.

6 de novembro – Rosinéia enviou uma mensagem para um familiar dela, que dizia “Estamos indo”. Foi o último contato do casal.

Leia a nota do Itamaraty na íntegra:

O Ministério das Relações Exteriores, por meio da Embaixada do Brasil em Nassau, da Embaixada do Brasil em Washington, do Consulado-Geral do Brasil em Miami e da Divisão de Assistência Consular, acompanha o caso do desaparecimento, desde novembro de 2016, de nacionais brasileiros que tentavam entrar irregularmente nos Estados Unidos a partir das Bahamas. Relatos iniciais indicavam que 19 pessoas estariam desaparecidas. Atualmente, trabalha-se com o dado de 12 brasileiros cujo paradeiro é desconhecido por suas famílias desde 6 de novembro de 2016.

A Divisão de Assistência Consular tem mantido contato com familiares de membros do grupo desaparecido que buscam o auxílio do MRE. Os referidos parentes mantêm entre si grupo de comunicação em rede social (Facebook), no qual compartilham informações e notícias. Informações fornecidas pelo grupo à Divisão de Assistência Consular têm sido retransmitidas à Polícia Federal e às representações brasileiras em Miami, Nassau e Washington, de modo a buscar auxiliar nas investigações em curso.

Até o presente, a Interpol-Bahamas e a Interpol-EUA não dispõem de informações sobre o paradeiro dos cidadãos brasileiros.

Fonte: G1



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