
Um menino de nove anos e uma idosa de 81 anos que já morreu estão entre os titulares de contas bancárias que receberam dinheiro desviado da Universidade Federal do Paraná (UFPR).
A fraude no repasse de bolsas e de auxílios à pesquisa é investigada pela Operação Research. De acordo com as investigações, nos últimos anos, foram desviados pelo menos R$ 7,3 milhões da instituição.
As investigações ainda mostram que eram feitos pagamentos sistemáticos, mensalmente, a pessoas que não têm qualquer vínculo com a UFPR, seja como professores, servidores ou alunos.
Foi constatado também que grande parte dos beneficiários sequer possui curso superior, tendo sido verificado, ainda, que a maioria possui profissões como cabeleireiro, motorista de caminhão, cozinheiro e outras atividades que não exigem qualificação superior.
A Polícia Federal (PF) chegou a expedir mandados de condução coercitiva (quando a pessoa é levada para prestar depoimento) contra o menino e a idosa, mas, diante das circunstância, requereu o recolhimento das duas ordens judiciais.
Fases
A 1ª fase da Operação Research foi deflagrada em 15 de fevereiro; 28 pessoas foram presas temporariamente.
Dois dias depois, 26 delas foram soltas. De acordo com o juiz federal Marcos Josegrei da Silva, da 14ª Vara Federal de Curitiba, tudo o que se pretendia esclarecer em relação a elas havia sido feito e, portanto, não havia justificativa para que elas seguissem presas.
Porém, a secretária da pró-reitoria de Planejamento e Orçamento, Tânia Márcia Catapan, e a chefe do setor de Orçamento e Finanças do mesmo setor, Conceição Abadia de Abreu Mendonça, apontadas como as principais responsáveis pelo desvio milionário, continuam presas.
A princípio, o mandado de prisão era temporário. No entanto, o juiz federal Marcos Josegrei da Silva, da 14ª Vara Federal de Curitiba, decretou a prisão preventiva de ambas, que é por tempo indeterminado.
De acordo com as investigações, os beneficiários do esquema de desvio dos recursos públicos faziam parte do “círculo de amizades” de Tânia e de Conceição. O advogado da maioria dos suspeitos, Marlon Bizoni Furtado, chegou a dizer que os clientes eram “laranjas”.
Já a 2ª fase da operação foi deflagrada no dia 3 de março, com mais cinco presos. À época da segunda fase, o esquema foi detalhado como “uma espécie de empresa criminosa familiar” por Josegrei da Silva.
A 3ª e mais recente fase foi deflagrada no dia 31 de março. A etapa tinha como objetivo rastrear o destino dos recursos públicos creditados nas contas dos falsos bolsistas, identificando outros possíveis beneficiários.
Fonte: G1


