A Polícia Federal (PF) apura se o vazamento de informações privilegiadas facilitou o roubo de cinco milhões de dólares por uma quadrilha com ao menos cinco homens armados com fuzis, no Aeroporto Internacional de Viracopos, no último dia 4. A polícia já ouviu 32 pessoas no inquérito. Até agora são 18 suspeitos, a maioria funcionários dos aeroportos de Guarulhos e Viracopos. Associação aponta sucateamento do terminal e falta de segurança.
Também é apurado se o assalto tem relação com uma quadrilha presa em novembro passado com carros e coletes clonados da Receita e da Polícia Federal.
Para a PF, o assalto pode ter começado ainda no Aeroporto de Guarulhos, com o vazamento de informações. Os malotes com o dinheiro chegaram lá às 8h do domingo passado. O avião saiu de Guarulhos às 20h e estacionou no pátio de Viracopos às 21h20, dez minutos antes do assalto.

O local de pouso mudou duas horas antes da aterrissagem. Um procedimento comum, mas a polícia apura se há relação com o crime. A aeronave parou para receber mais carga e o contêiner foi retirado do avião.
“No carregamento de novas cargas na aeronave, eventualmente, pra balancear a distribuição de peso, a distribuição dos volumes na aeronave, se retire alguma carga que já está embarcada, coloque outras cargas e depois recoloque essa carga retirada […] pra otimizar a distribuição das cargas na aeronave”, explicou Antônio Leal, delegado da Receita Federal em Viracopos.
Segurança
Para o presidente da Associação dos Despachantes Aduaneiros do Brasil, falta segurança e essa situação traz prejuízos.
“E isso pode onerar as importações. Pode não, vai onerar […] Lamentavelmente tudo isso acontece no sucateamento do Aeroporto de Viracopos em função da entrega dessa licitação”, afirmou Valter de Oliveira.
A Aeroportos Brasil, que assumiu a gestão de Viracopos em 2012, quer devolver a concessão. Com dívidas acumuladas após investir R$ 3 bilhões no aeroporto, a concessionária enfrenta previsões frustradas de movimentação de passageiros e cargas.



