sexta-feira, 18 setembro 2026
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Flávio Bolsonaro cria saia-justa para Moro ao apoiar candidatura de Eduardo Cunha, condenado por ele na Lava Jato

Flávio Bolsonaro cria saia-justa para Moro ao apoiar candidatura de Eduardo Cunha, condenado por ele na Lava Jato

Foi o atual candidato ao Governo do Estado, então juiz da 13ª Vara Federal de Curitiba, quem condenou Cunha em 2017, no âmbito da Lava Jato, a 15 anos e 4 meses de prisão por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e evasão fraudulenta de divisas. Cunha ficou preso, por ordem de Moro, de outubro de 2016 a abril de 2021.

O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) declarou apoio público à candidatura de Eduardo Cunha (Republicanos) a deputado federal por Minas Gerais, em vídeo divulgado nas redes sociais. A aliança coloca Sérgio Moro (PL) diante de um contorcionismo particularmente constrangedor no Paraná. (Assista o vídeo abaixo da matéria.)

Foi o atual candidato ao Governo do Estado, então juiz da 13ª Vara Federal de Curitiba, quem condenou Cunha em 2017, no âmbito da Lava Jato, a 15 anos e 4 meses de prisão por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e evasão fraudulenta de divisas. Cunha ficou preso, por ordem de Moro, de outubro de 2016 a abril de 2021.

As condenações foram depois anuladas pelo STF, em 2021 e 2023, por entender que havia indícios de crime eleitoral conexo – o que deslocava a competência para a Justiça Eleitoral. Anulação processual, não absolvição de mérito, mas suficiente para reabrir o caminho político de Cunha.

O episódio pesa mais porque a aproximação entre Moro e Flávio é, em si, uma reviravolta. Moro deixou o Ministério da Justiça em 2020 acusando publicamente Jair Bolsonaro de pressioná-lo pela troca do comando da Polícia Federal, inclusive da Superintendência do Rio.

Segundo o próprio Moro escreveu mais tarde em seu livro, os pedidos de troca visavam afastar qualquer investigação sobre os filhos do ex-presidente, especialmente Flávio, já abalado à época por denúncias de “rachadinha” na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, suspeitas de lavagem de dinheiro numa franquia de chocolates e desconfiança sobre a compra de imóveis com dinheiro vivo.

Seis anos depois, Moro decidiu “perdoar” e “esquecer” os problemas passados com a família Bolsonaro e se filiou ao PL para disputar o Governo do Paraná, fazendo inclusive campanha pela candidatura presidencial de Flávio sob justificativa de “combate à corrupção”. Em maio, questionado sobre a nova guinada política, Moro despachou o assunto com o clichê de “deixar as divergências no passado”.

Só que depois das pazes feitas, Flávio se viu novamente nos holofotes devido às revelações de um relacionamento de amizade com Daniel Vorcaro, a quem chamou de “irmão”, e a quem pediu R$ 134 milhões para custear o filme Dark Horse – dos quais ao menos R$ 61 milhões foram efetivamente enviados pelo ex-banqueiro preso. A Polícia Federal investiga se o dinheiro foi usado efetivamente no filme ou para outras finalidades.

Neste novo caso, Moro optou pelo o silêncio. Vídeos da coletiva em que Flávio admitiu ter visitado Vorcaro quando ele já cumprida prisão domiciliar – depois de negar ter qualquer contato com o banqueiro – mostram o ex-juiz ao fundo, cabisbaixo. Depois, questionado sobre o episódio, Moro limitou-se a dizer que Flávio “já deu suas explicações” – a mesma frase de praxe que reserva a qualquer aliado que tem seu nome relacionado a esquemas de corrupção.

Para alívio de Moro, a candidatura de Cunha acabou sendo barrada pelo TRE-MG, que indeferiu seu registro no início de setembro por inelegibilidade decorrente da cassação de seu mandato em 2016. Os vídeos de Flavio e Cunha juntos, porém, continuam circulando nas redes sociais, para assombro do ex-juiz.



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