sexta-feira, 18 setembro 2026
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Comandante do Exército se diz ‘muito preocupado’ com resultados da intervenção no Rio

Comandante do Exército se diz ‘muito preocupado’ com resultados da intervenção no Rio

General Eduardo Villas Bôas afirma que a violência tem raízes históricas e é resultado de 'décadas de omissões'. Ele diz ainda que as soluções serão de 'muito longo prazo' e que o interventor mantém cautela para 'não gerar expectativas'.

O comandante do Exército Brasileiro, general Eduardo Villas Bôas, declarou nesta terça-feira (20) que está “muito preocupado” com os resultados da intervenção federal no Rio de Janeiro. Segundo ele, as soluções para a violência generalizada no estado serão “de muito longo prazo”.

“Eu estou otimista e preocupado. Confesso que muito preocupado pela incerteza de que nós vamos, realmente, atingir todos os resultados”, disse Villas Bôas.

A declaração do general foi dada a jornalistas após seu discurso em uma conferência do Banco Nacional de Desenvolvimento Social (BNDES). No evento, a maior autoridade do Exército brasileiro enfatizou as características históricas que levaram o governo federal a decretar intervenção na segurança pública do Rio.

“Esse estado de coisas a que nós chegamos é resultado de décadas e décadas de omissões e de necessidades básicas da população não atendidas, que acabam se represando e transbordando sob formas de violência”, apontou o general.

Ao reafirmar que as causas da violência “são extremamente profundas”, Villas Bôas disse que o Exército pede “a compreensão” da sociedade porque “os companheiros que lá estão às voltas com esse tema [da intervenção], quanto mais se debruçam, mais verificam a sua complexidade”.

O general disse ainda que, diante do quadro complexo que vive a segurança pública do Rio, os militares envolvidos diretamente na intervenção “têm procurado manter uma postura de não gerar expectativas, não tomar atitude espetaculosa e de não inaugurar promessa”.

“Os resultados virão com o tempo, e as soluções serão realmente de muito longo prazo”, afirmou o general.

  • Déficit das Forças de Segurança do RJ é de R$ 3,1 bi, diz interventor

Aos jornalistas, Villas Bôas disse que a maior determinação do Exército durante a intervenção no Rio é “deixar como legado uma mudança nas estruturas”, a fim de que elas tenham condições de se manter funcionando de forma eficaz após a saída do Exército. Ele apontou, ainda, que o sistema penitenciário é alvo da maior preocupação dos interventores.

“Algo que nos preocupa e que é chave: a nossa lei de execução penal tem que se adequar à maneira efetiva como nós temos que atuar para conseguirmos atingir essas estruturas do crime organizado. Isso não vai ser solucionado nos dez meses restantes”, disse.

Questionado sobre o anúncio da saída das tropas da Vila Kennedy, apontada como comunidade que serviria de “modelo” para a intervenção, o general Villas Bôas disse o Exército precisa focar em aumentar a sensação de segurança da população.

“Nós temos que considerar que o Rio tem mais de 800 comunidades. Então, nessa fase inicial, vamos tentar uma atuação mais extensiva, com o objetivo de melhorar uma coisa que é chave, que é a percepção de segurança”, justificou.

Morte de Marielle

Durante seu discurso no auditório do BNDES, o general defendeu a necessidade de a população brasileira se unir.

“Se nós não ganharmos densidade, estaremos sujeitos à potencial fragmentação, senão territorial, da nossa sociedade. Forças centrífugas acabam ganhando muita força, acabam ganhando uma capacidade muito grande de nos desagregar e até mesmo um efeito fortuito”, disse.

Sem citar nominalmente a vereadora do PSOL Marielle Franco,assassinada a tiros na quarta-feira (14) no Centro do Rio, o comandante do Exército sugeriu que o crime promoveu a maior polarização da sociedade.

“Vejam agora esse injustificável assassinato dessa moça. Vejam, verifiquem, o potencial de desagregação, de potencializar os ideiais de minorias. Como diz o ministro Aldo Rebello, o caminho da separatividade da nossa sociedade. Então, nós temos de ganhar densidade novamente”, disse.

Aos jornalistas, classificou o crime como “terrível” e enfatizou a expectativa de que ele “seja elucidado o mais rápido possível”. Além disso, destacou que o caso gerou uma “rede internacional de solidariedade”.

“Vem toda a parte de igualdade racial, direito das mulheres, enfim, são coisas que são demandadas pela nossa sociedade”, disse.

(G1)



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