A Delegacia de Umuarama, no noroeste do Paraná, foi depredada há seis meses. O prédio foi alvo de vandalismo no dia 27 de setembro de 2017, depois da notícia da prisão do homem suspeito de matar a menina Tábata Rosa, de 6 anos.
As janelas da delegacia ainda estão fechadas com tapumes. Os vidros não foram instalados e o telhado de salas também não foi reformado.
Depois da depredação, o atendimento à população foi suspenso por cerca de um mês. Dias após o vandalismo, o governador Beto Richa (PMDB) prometeu que a reforma do prédio começaria ainda em outubro de 2017.
“Está tudo pronto para iniciar a reconstrução dessa delegacia em regime de emergência. Vencidos os trâmites burocráticos, as obras devem começar o mais rápido possível. Esse mês ainda”, disse o governador em 6 de outubro de 2017.
Apesar da promessa, a reforma não começou. Segundo o delegado-chefe da Polícia Civil Osnildo Carneiro Lemes, poucos reparos emergenciais foram feitos para que o atendimento aos moradores fosse retomado.
“Reformamos as coisas mais emergenciais. Por exemplo, os vidros da sala do delegado, do gabinete, do plantão. A porta de vidro que dá acesso ao prédio foi trocada com recursos da prefeitura e do conselho municipal de segurança”, explicou o delegado.
A Polícia Civil acredita que a instalação dos vidros e a reforma do telhado gastaria cerca de R$50 mil, orçamento que foi encaminhado à Secretaria Estadual de Segurança Pública do Paraná (Sesp-PR).
Além da delegacia, a cadeia pública também precisa de reformas. É que durante o vandalismo, presos aproveitaram o tumulto e começaram uma rebelião. O motim destruiu uma das duas galerias da cadeia.
A galeria danificada pelos presos foi desativada, e 125 foram transferidos para a Penitenciária de Cruzeiro do Oeste, também no noroeste.
No entanto, em seis meses mais pessoas foram presas. Como uma galeria segue fechada, 183 presos estão em uma cadeia superlotada. A capacidade é para 75.
“Temos basicamente a mesma população carcerária que tínhamos antes do vandalismo, só que agora só temos uma galeria”, explicou Lemes.
A Polícia Civil também aguarda o repasse de mais viaturas. Dos seis carros destruídos na época, apenas três veículos foram repostos. Para o delegado-chefe de Umuarama, isso prejudica o trabalho de investigação da polícia.
“Os meios que nós temos para investigar são viaturas descaracterizadas. Infelizmente, naquele episódio, praticamente todas as viaturas foram danificadas. Houve a reposição somente da metade do que foi destruído. Pessoal está se revezando para dar conta do recado”, finaliza o delegado-chefe de Umuarama.
A Sesp-PR informou que o processo de reforma está em andamento na Paraná Edificações. O órgão disse ainda que alguns reparos na parte estrutural da delegacia, como novas portas e vidros, foram feitos com dinheiro do Fundo Rotativo da Polícia Civil do Paraná.
Relembre o caso Tábata
Tabata Fabiana Crespilho da Rosa, de 6 anos, foi morta após desaparecer no dia 26 de setembro de 2017. No dia seguinte, o suspeito foi preso.
Conforme o inquérito da Polícia Civil, o suspeito agiu sozinho e deve responder por homicídio qualificado, ocultação de cadáver e estupro de vulnerável. Após o protesto dos moradores, ele foi transferido para Curitiba.
Um laudo divulgado na última terça-feira (3) confirmou que a menina sofreu violência sexual antes de ser morta por enforcamento.
(G1)


