quinta-feira, 17 setembro 2026
UMUARAMA/PR

Órgãos de menina vítima de acidente na Fredolin Wolf são doados para sete crianças

Órgãos de menina vítima de acidente na Fredolin Wolf são doados para sete crianças

"Que vivam por ela o que ela não conseguiu viver", destacou a mãe

Doação: palavra que pode conter um significado enorme, capaz de mudar a vida de outra pessoa. E foi pensando nisso, em um gesto de amor ao próximo, que a auxiliar administrativa Liana Arsie Lino e o marido escolheram doar os órgãos da filha Fernanda Letícia Lino de Lima, de 6 anos, que teve morte encefálica após um acidente, em Curitiba.

A vida da família mudou no dia 23 de novembro de 2021, quando Liana voltava da casa da mãe dela com os três filhos: Fernanda de 6 anos, um menino de 10 anos e uma adolescente de 14 anos. Uma pane no carro travou a direção e a a fez bater de frente com outro veículo na Avenida Fredolin Wolf, no bairro São João.

A pequena Fernanda estava na cadeirinha e com cinto de segurança afivelado, mas teve ferimentos devido ao efeito chicote no pescoço. Ela foi encaminhada ao hospital em estado grave e teve a morte encefálica decretada três dias depois.

A decisão de doar os órgãos não foi fácil, mas Liana conta que ela e o marido seguiram o coração.

“Eu e meu marido jamais imaginamos passar por isso e, muito menos, tomar uma decisão dessas. Nós nunca fomos a favor 100% de uma doação e depois dela a gente aprendeu. Quando ela faleceu, nós pedimos uns minutinhos para conversar e foi aí que tomamos a decisão, porque tinha a mais velha e o do meio e nós nos colocamos no lugar de um pai e uma mãe que estão ali na fila de espera”, disse .

Conforme a mãe, sete crianças foram beneficiadas com os órgãos de Fernanda. O que conforta o casal é saber que a filha, de certa forma, permanece viva.

“Que eles vivam por ela o que ela não conseguiu viver”, destacou.

Liana lembra que o sonho da filha era ser cowboy pois adorava assistir rodeios: “Ela não falava cowgirl”. Amorosa, Fernanda sempre pensava no próximo.

“A gente acredita que ela é um anjo que veio para gente, porque não tem explicação. Nós mudamos 100% depois que ela veio. Ela nos ensinou o verbo doar, porque ela tirava roupinha do guarda-roupa dela para doar. A gente sente que se um dia na vida fosse feita essa pergunta, ela diria: eu quero doar. Só quem viveu com ela sabe o grande coração que ela tinha, apesar de ter apenas seis anos”, ressaltou.



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