Doação: palavra que pode conter um significado enorme, capaz de mudar a vida de outra pessoa. E foi pensando nisso, em um gesto de amor ao próximo, que a auxiliar administrativa Liana Arsie Lino e o marido escolheram doar os órgãos da filha Fernanda Letícia Lino de Lima, de 6 anos, que teve morte encefálica após um acidente, em Curitiba.
A vida da família mudou no dia 23 de novembro de 2021, quando Liana voltava da casa da mãe dela com os três filhos: Fernanda de 6 anos, um menino de 10 anos e uma adolescente de 14 anos. Uma pane no carro travou a direção e a a fez bater de frente com outro veículo na Avenida Fredolin Wolf, no bairro São João.
A pequena Fernanda estava na cadeirinha e com cinto de segurança afivelado, mas teve ferimentos devido ao efeito chicote no pescoço. Ela foi encaminhada ao hospital em estado grave e teve a morte encefálica decretada três dias depois.
A decisão de doar os órgãos não foi fácil, mas Liana conta que ela e o marido seguiram o coração.
“Eu e meu marido jamais imaginamos passar por isso e, muito menos, tomar uma decisão dessas. Nós nunca fomos a favor 100% de uma doação e depois dela a gente aprendeu. Quando ela faleceu, nós pedimos uns minutinhos para conversar e foi aí que tomamos a decisão, porque tinha a mais velha e o do meio e nós nos colocamos no lugar de um pai e uma mãe que estão ali na fila de espera”, disse .
Conforme a mãe, sete crianças foram beneficiadas com os órgãos de Fernanda. O que conforta o casal é saber que a filha, de certa forma, permanece viva.
“Que eles vivam por ela o que ela não conseguiu viver”, destacou.
Liana lembra que o sonho da filha era ser cowboy pois adorava assistir rodeios: “Ela não falava cowgirl”. Amorosa, Fernanda sempre pensava no próximo.
“A gente acredita que ela é um anjo que veio para gente, porque não tem explicação. Nós mudamos 100% depois que ela veio. Ela nos ensinou o verbo doar, porque ela tirava roupinha do guarda-roupa dela para doar. A gente sente que se um dia na vida fosse feita essa pergunta, ela diria: eu quero doar. Só quem viveu com ela sabe o grande coração que ela tinha, apesar de ter apenas seis anos”, ressaltou.


