quarta-feira, 16 setembro 2026
UMUARAMA/PR

Advogados e outros réus são condenados por apropriação indevida de R$ 5,4 milhões de clientes no Noroeste do PR

Advogados e outros réus são condenados por apropriação indevida de R$ 5,4 milhões de clientes no Noroeste do PR

A sentença do Juízo Criminal da comarca condenou os réus a penas que, somadas, ultrapassaram 496 anos – o líder da organização criminosa denunciada pelo MPPR recebeu pena de 196 anos e 11 meses de reclusão.

PorMPPR

O Ministério Público do Paraná, por meio da Promotoria de Justiça de Santa Isabel do Ivaí, no Noroeste do estado, obteve na Justiça a condenação de nove réus denunciados a partir da Operação Burla. A sentença do Juízo Criminal da comarca condenou os réus a penas que, somadas, ultrapassaram 496 anos – o líder da organização criminosa denunciada pelo MPPR recebeu pena de 196 anos e 11 meses de reclusão.

A Operação Burla foi deflagrada em 2018 pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) para apurar crimes de organização criminosa, estelionato, apropriação indébita, lavagem de dinheiro e falsificação de documento particular. Foram lesadas pelo menos 29 vítimas, em montante superior a R$ 5 milhões.

Além das penas privativas de liberdade, a sentença decretou o perdimento do proveito do crime, consistente em 23 imóveis, 15 veículos, uma lancha, 443 animais e R$ 6.032,39. Determinou ainda a perda do cargo público do então escrivão da Vara Cível da comarca, bem como o encaminhamento de cópia do feito à Ordem dos Advogados do Brasil, para apuração da conduta dos profissionais da advocacia na esfera administrativa.

Golpe – A investigação contou com a quebra de sigilo de dados bancários e telefônicos dos suspeitos e apurou o envolvimento de advogados e bacharéis em Direito e do então escrivão da Vara Cível da comarca, que teriam se organizado para atuar na região Noroeste do estado, angariando clientes correntistas do Banco do Brasil, em sua maioria pessoas humildes e idosas, para o ajuizamento de cumprimentos de sentença em ações coletivas de direitos e valores de expurgos inflacionários do Plano Verão.

O grupo teria então enganado as vítimas, fazendo-as assinar procurações com endereços falsos e contratos de cessão de crédito ou quitação sem conhecimento do conteúdo. Em seguida, apropriavam-se dos valores recebidos, sem repassá-los aos clientes ou passando apenas uma parte mínima. O montante apropriado pelo grupo na época chegaria a R$ 5.397.258,69.

Conforme apurado, o escrivão teria participado dos crimes aproveitando-se do cargo: ele adotava movimentações processuais tendenciosas e rápidas, para expedir os alvarás judiciais em favor dos demais integrantes da organização criminosa, sem obediência às normas processuais e a comunicação das partes e clientes.

Cabe recurso da decisão judicial.

Investigações do Gaeco decorrentes da Operação Burla

No dia 12 de março de 2021, o Ministério Público do Paraná, por meio da Promotoria de Justiça de Santa Isabel do Ivaí, no Noroeste do estado, obteve judicialmente o sequestro de bens contra 11 réus, denunciados pelo MPPR por diversos crimes investigados a partir da Operação Burla, dos quais oito tiveram bens efetivamente encontrados e sequestrados. Deflagrada em 2018 pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), a operação apurou crimes de estelionato, apropriação indébita e lavagem de dinheiro, com pelo menos 29 vítimas lesadas em montante superior a R$ 5 milhões.

Contando com a quebra de sigilo telefônico dos aparelhos celulares apreendidos na operação e com buscas de bens realizadas nos sistemas dos órgãos públicos, a Promotoria impetrou medida cautelar que culminou no sequestro de 31 imóveis, uma lancha, valores aplicados em ativos financeiros, direitos em ações judiciais e semoventes de produção (animais bovinos). Os bens serão agora avaliados, junto com outros anteriormente sequestrados, buscando-se a apreensão integral do produto ou do proveito ilícito obtido pelos réus.

Crimes – Segundo a denúncia, oferecida pelo MPPR por meio do Gaeco, os réus, em sua maioria advogados da região Noroeste do Paraná, teriam praticado 19 crimes de estelionato e apropriação indébita e quatro crimes de lavagem de dinheiro contra clientes do Banco do Brasil, em ações de expurgos inflacionários envolvendo correções monetárias dos planos Verão, Collor e Bresser, obtendo vantagens ilícitas e causando prejuízos em montante superior a R$ 5 milhões. Na ação penal, são citadas 29 vítimas, mas mais pessoas podem ter sido lesadas pelos denunciados. Há outros processos judiciais em andamento nas comarcas de Santa Isabel do Ivaí e de Alto Paraná relacionados aos possíveis crimes, com outras vítimas.



Participe do grupo de WhatsApp e receba todas as notícias em primeira mão. Clique aqui






Mais lidas

Homem morre após ser esfaqueado pela filha de 14 anos, em Umuarama

Um homem de 50 anos morreu na tarde desta segunda-feira (13) após ser esfaqueado durante...

Mulher encontrada morta com o filho no Paraguai era servidora da Saúde de Umuarama

A mulher encontrada morta ao lado do filho nesta terça-feira (15), no Paraguai, próximo à...

Vídeos mostram mãe e filho de Perobal encontrados mortos, aparentemente assassinados, no Paraguai

Vídeos que começaram a circular nas redes sociais na manhã desta terça-feira (15) mostram duas...

Notícias Relacionadas