sexta-feira, 18 setembro 2026
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Renato Cariani usou dados de crianças para comprar hormônio do crescimento, diz PF

Renato Cariani usou dados de crianças para comprar hormônio do crescimento, diz PF

Relatório de investigação apresentou diálogos para aquisição de produto que também é usado no mundo fitness para desenvolvimento muscular

Um relatório da Polícia Federal sobre a Operação Hinsberg, que colocou o influenciador fitness Renato Cariani (47) na mira da Justiça pelo suposto envolvimento com o tráfico de drogas, revelou outro esquema, que teria sido praticado em 2017, que consistia no uso de nomes de crianças para a compra de “hormônios de crescimento”.

A CNN teve acesso ao relatório elaborado pela PF, que apresentou interações entre o influencer e amigos que o acompanharam ao longo da empreitada empresarial.

Sobre a utilização de nomes de crianças para a compra de hormônios, os quais são frequentemente usados no mundo fitness para o ganho de massa muscular, a PF apontou que Renato se associou a uma amiga identificada como Elen Couto, para conseguir “receitas médicas e descontos, para a compra de Norditropin, mais conhecido como “GH””, segundo documento.

Em uma das conversas que constam no relatório, Renato aciona a amiga pedindo nomes de crianças para comprar mais “daquele medicamento”. A amiga, então, se prontifica a cadastrar os nomes para que o influencer consiga comprar os medicamentos com desconto. Quando Cariani questiona mais dados do cadastro que havia sido feito, Elen demonstra certo constrangimento e diz que pegou dados dos alunos dela.

RENATO PEDE DADOS DE CRIANCAS

Conversas de Renato Cariani / Reprodução

O relatório fala sobre a hipótese das receitas enviadas por Renato a Elen poderiam ter uma “finalidade diversa a de tratamento hormonal infantil”. O documento relata que o fato de Elen ter afirmado que utilizou dados de alunos para fins de cadastro “reforça os indícios de falsidade dessas receitas”, diz o relatório da Polícia Federal.

A interação entre a dupla para comprar hormônios não é objeto da investigação federal sobre o desvio de produtos químicos. Os diálogos foram utilizados para reforçar a tese da relação entre Cariani e a amiga, uma vez que a mulher já trabalhou com o influencer na Anidrol Produtos para Laboratórios.

Os diálogos contidos no relatório sugerem, também, que as vendas simuladas de produtos químicos para grandes farmacêuticas eram de conhecimento de Cariani. Esta é a principal linha sustentada pela PF sobre o envolvimento do influencer com o tráfico.

Documentos mostram que entre 2014 e 2020, substâncias químicas, que poderiam produzir 15 toneladas de crack, saíram irregularmente da empresa do influencer.

Réu em processo

Na última sexta-feira (16), a Justiça de São Paulo aceitou a denúncia oferecida pelo Ministério Público Estadual e o influenciador Renato Cariani, se tornou réu no processo em que é acusado de tráfico de drogas, associação para o tráfico e lavagem de capitais.

Segundo o Ministério Público de São Paulo (MPSP), além de Cariani, outras quatro pessoas também responderão à Justiça pelos mesmos crimes.

Outro Lado

CNN procurou a defesa de Renato Cariani na noite de domingo (18) e ainda aguarda retorno. Elen também foi procurada e, até a publicação da reportagem, não havia retornado.



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