Thamara relata que, por diversas vezes, já ouviu relatos de outras mães, cujos filhos já foram vítimas de bullying, mas até então não havia acontecido com Israelle.
A relação de transparência e confiança entre mãe e filha foi fundamental para que ela se sentisse confortável de conversar com a mãe sobre a violência sofrida.
“Desde o tempo que a Israelle começou a falar, eu venho falando pra ela que a gente não pode ter segredo, que tudo que acontecer na vida dela, ela pode me contar”, afirma.
Partiu de Thamara a ideia de escrever uma carta e pedir para que sua filha falasse na frente da turma como forma de conscientizá-los. “Pedi autorização da professora e falei que gostaria de gravar minha filha durante a leitura”.
“Sou uma menina chamada Israelle. Não tenho cabelo bombril, sou morena, tenho olhos pretos, estudiosa e sou muito feliz”.
Na carta, a mãe destacou a existência e a importância da diversidade, e exaltou com orgulho as características da filha. Leia a carta na íntegra:

A diretoria da escola informou que está ciente do ocorrido e que trabalha periodicamente com projetos que visam evitar o bullying.
“Trabalhar com crianças é difícil, mas já vínhamos trabalhando com a conscientização dos alunos. E as crianças que cometeram o ato já foram identificadas e repreendidas pela professora no momento do acontecido”, declarou.
Felizmente Israelle mudou de ideia sobre alisar seu cabelo, e, no dia seguinte à leitura da carta, recebeu diversos elogios de outros alunos. “Ela chegou muito feliz na terça-feira (12), contando que os amiguinhos falaram que o cabelo dela era lindo e perguntaram como ela fazia os penteados”, afirmou a mãe.
Orgulhosa da iniciativa e da força da filha, Thamara ainda deixou um recado para os pais:
“Eduquem seus filhos porque bullying não é brincadeira, é coisa séria. E para as crianças que sofrem: não se calem, não guardem para si”.