No início do governo Lula, em 12 de janeiro de 2023, o atual ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz (PDT), então deputado federal, participou de uma reunião dentro do ministério com Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, principal operador de um esquema de fraudes em descontos indevidos de benefícios previdenciários. O encontro, que não consta em agendas oficiais, também teve a presença de ex-dirigentes do INSS suspeitos de envolvimento em corrupção.
Reunião fora da agenda
O encontro ocorreu quando Wolney havia sido indicado para assumir o cargo de secretário-executivo do Ministério da Previdência, o segundo posto mais alto da pasta, função que assumiu oficialmente em fevereiro de 2023. Estavam presentes também os ex-diretores do INSS André Fidelis (Benefícios), Alexandre Guimarães (Governança) e o então procurador-geral do instituto, Virgílio Oliveira Filho, afastado por decisão judicial. A agenda foi organizada por Virgílio, segundo nota oficial do ministro, sem sua anuência prévia quanto aos participantes.
A foto da reunião foi divulgada à época nas redes sociais de Wolney, o que, segundo ele, comprovaria a boa-fé do encontro.
Esquema de propinas e fraudes
De acordo com investigações da Polícia Federal, o lobista Careca do INSS operava um esquema de fraudes que envolvia descontos indevidos em aposentadorias e repasse de propinas a dirigentes do INSS. O prejuízo estimado ultrapassa R$ 6,3 bilhões desde 2019.
Os dados revelam que os ex-dirigentes presentes na reunião com Wolney receberam repasses significativos de empresas ligadas ao lobista:
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Virgílio Oliveira Filho: R$ 11,9 milhões (sendo R$ 7,5 milhões do próprio Careca);
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André Fidelis: R$ 5,1 milhões (R$ 1,46 milhão do lobista);
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Alexandre Guimarães: R$ 313,2 mil;
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Além disso, um Porsche avaliado em R$ 500 mil foi transferido à esposa do ex-procurador Virgílio.
Também aparecem na imagem da reunião o ex-superintendente do INSS no Nordeste, Rogério Soares de Sousa, e Marcos de Brito Campos Júnior, atual diretor do Dnit.
Reuniões posteriores
Em março de 2023, o lobista voltou ao ministério, dessa vez para uma reunião com Adroaldo da Cunha Portal (PDT), sucessor de Wolney na secretaria-executiva, também fora da agenda oficial, acompanhado por representantes de correspondentes bancários de empréstimos consignados.
Esclarecimentos e defesa
Durante depoimento ao Senado em 15 de maio de 2025, Wolney negou ter relação com os envolvidos e afirmou não se lembrar de tê-los recebido. “Posso ter eventualmente me encontrado com alguns deles, mas não tenho nenhuma lembrança”, disse ao ser questionado pelo senador Sergio Moro (União-PR).
Em nota oficial enviada ao portal Metrópoles, o ministro reforçou que:
“A reunião foi conduzida por Virgílio Oliveira Filho com o intuito de apresentar ao futuro secretário-executivo um panorama técnico da pasta. O grupo foi montado por ele sem anuência prévia de Wolney. O ministro não tem qualquer relação com investigados pela Polícia Federal e sempre pautou sua vida pública por transparência, integridade e compromisso com o interesse público.”
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