O Tribunal do Júri de Cruzeiro do Oeste condenou a 26 anos de prisão, em regime fechado, um homem acusado de matar um rival em meio a uma disputa entre facções ligadas ao tráfico de drogas em Mariluz (cidade localizada a cerca de 30 quilômetros de Umuarama). O crime ocorreu em 9 de março de 2023, no centro da cidade, e foi caracterizado por extrema violência: a vítima foi atingida por 35 disparos de arma de fogo, dando início a uma série de assassinatos onde autores e vítimas eram membros de duas facções criminosas envolvidas com o tráfico de drogas, que iniciaram uma disputa por território naquela cidade.
Ataque surpresa
Segundo a denúncia apresentada pelo Ministério Público do Paraná (MPPR), o réu cometeu o homicídio em companhia de um cúmplice ainda não identificado. O ataque aconteceu em via pública e de forma inesperada, com os tiros sendo disparados pelas costas da vítima, o que dificultou qualquer possibilidade de defesa.
Durante o julgamento, o Conselho de Sentença acolheu integralmente as teses do MPPR, que sustentou a presença de duas qualificadoras: o motivo torpe – ligado à disputa pelo controle do tráfico na região – e o uso de recurso que dificultou a defesa da vítima. Além da pena de reclusão, o condenado também foi sentenciado ao pagamento de uma indenização no valor de R$ 80 mil à família da vítima.
Preso preventivamente desde a investigação do caso, o réu permanecerá detido e não poderá recorrer da sentença em liberdade.
Relembre os casos
A organização criminosa que atuava em Mariluz, era conhecida como a “Gangue dos Ned”, voltada ao tráfico de entorpecentes.
Existia dentro do bando, um esquema hierárquico, com divisão de tarefas. O chefe do grupo, Reginaldo Ned, era pai de Matheus Ribeiro da Silva, de 22 anos, vítima do primeiro assassinato que culminou na guerra sangrenta entre as facções.
Guerra sangrenta
Outros serviam como ‘laranjas’, que cediam seus nomes para a aquisição de imóveis, usados como esconderijos, pontos de armazenamento de armas e de drogas e outros que eram utilizados como bocas de fumo.
Os integrantes passaram a ser os responsáveis por atentados e assassinatos praticados há meses, tanto em Mariluz, quanto em cidades da microrregião. As investigações levaram a polícia a identificar os membros e descobrir qual o grau de envolvimento de cada um deles. O comando era de Reginaldo Ribeiro da Silva, o “NED”. Este ordenava a prática de ações violentas contra qualquer pessoa que ele entendesse ser seu adversário.
A organização criminosa é formada em família, esposas, sobrinhos, irmãos, filhos e filhas, todos fazem parte e estão envolvidos desde o tráfico de drogas à assassinatos.
Operação Ultimato
Em 28 de abril daquele mesmo ano, foi deflagrada pelas Polícias Civil e Militar a Operação Ultimato, nas cidades de Mariluz e em outros três municípios do Noroeste. Na ocasião foram cumpridos 16 mandados de busca e apreensão, 7 de prisão, dois de internamento de adolescentes e 16 sequestros de veículos.
Entre os presos, estava o líder da gangue, Reginaldo Ned.

As forças de segurança envolvidas descobriram o modus operandi da quadrilha, que resultou em pelo menos 10 homicídios em dois meses.
“O pai não matava as possíveis pessoas envolvidas com a morte do filho, mas era o mandante. Ele escolhia as vítimas e determinava aos integrantes da organização quem matar todos os que pudessem, segundo o mandante, estar envolvido com a morte do filho”, disse a delegada de Cruzeiro do Oeste, Karoline Bischoff, que comandou os trabalhos à época. A delegada revelou também que as investigações duraram 60 dias e contaram com o apoio de todas as forças de segurança da região. “Apreendemos muito material, muitos celulares que agora serão analisados para levantar mais detalhes sobre os crimes praticados ao longo de anos. Nossa intenção é tentar mantê-los presos pelo maior tempo possível”, pontuou.
Prisões e apreensões
A Operação Ultimato terminou com a prisão de sete pessoas, sendo três delas temporariamente, quatro autuações em flagrante por posse de arma de fogo e munições, uma mulher autuada em flagrante por crime ambiental, além de dois menores apreendidos por mandado de internação. Também foram apreendidos três carros, uma motocicleta, dois revólveres, 16 dezesseis munições calibre .9mm e duas munições calibre .38. As diligências foram realizadas nos municípios de Mariluz, Paraíso do Norte, Mandaguari, Francisco Alves e Palotina.


