segunda-feira, 13 abril 2026
UMUARAMA/PR

Após rumores, Bancada Feminina é instalada no Parlamento Universitário

Após rumores, Bancada Feminina é instalada no Parlamento Universitário

Após relatos de parlamentares que se sentiram atacadas por deputados, Bancada feminina é criada para proteção de um interesse comum

Em paralelo ao Dia do Combate ao Feminicídio, celebrado anualmente em 22 de julho no estado do Paraná — instituído pela Lei 19.873/2019, proposta pela deputada estadual Cristina Silvestri (PP) e integrada ao Código da Mulher Paranaense —, as integrantes do Parlamento Universitário se mobilizam para a realização da Bancada Feminina, prezando pela união e pelo fortalecimento das convicções contra as violências de gênero direcionadas às deputadas.

Com a iniciativa de criar a bancada, o presidente do Parlamento, Gustavo Sezerban (UP), em conjunto com a presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher, Camila Pereira Cruz (Estácio), deu os primeiros passos para a realização da primeira reunião do grupo, que ocorreu após a audiência pública desta segunda-feira (21), no Plenarinho. O encontro contou exclusivamente com a participação das mulheres da Casa, incluindo deputadas e suplentes.

Por indicação das presidências, a parlamentar Luana Vasconcellos (UTFPR) assumiu a liderança da bancada, tendo como vice a deputada Ana Helena Prata (UNIFATEC). Vasconcellos ressaltou que, para a construção de uma bancada democrática e suprapartidária — voltada não a interesses partidários, mas sim às questões de gênero —, os discursos foram direcionados ao enfrentamento das violências contra as mulheres que ocorrem diariamente dentro do Plenário. “Na vida real, nós temos apenas 10 deputadas, de um total de 54 cadeiras. No Parlamento Universitário, temos 20 — é o dobro — mas ainda assim, não é suficiente e está longe de ser”, declarou.

Já Ana, deputada e vice-líder da bancada, que apesar de acreditar em uma liderança conjunta a de Luana, entende que o seu lugar como vice-presidência foi dada beirando uma “imposição”, já que esse título já estava programado anteriormente a reunião, sem seu consentimento e sem uma votação realizada com as participantes do movimento. “Se tivesse sido por votação, acho que seria perfeito e nossos discursos estariam alinhados ou até melhores”, completa a vice. 


O ponto de partida para a criação da Bancada Feminina

A liderança aponta que a criação da frente feminina se deu a partir de conversas entre as parlamentares sobre uma violência de gênero mais discreta por parte dos deputados. “As deputadas procuraram a gente, dizendo que, ‘Às vezes, a gente tenta comunicar o nosso parecer. Eles interrompem, não deixam a gente falar ou até mesmo na questão de repasse, de relatória, eles quem decidem primeiro’”, informou Luana. 

Outro tópico tratado na reunião, foram os rumores sobre como se deu a mudança na liderança do governo, informada também nesta segunda-feira, pela assessoria da Governadora Victória Benites (Inspirar). O deputado João Bittencourt (UniCuritiba) assumiu a liderança em substituição a deputada Angelina Martins (UniCuritiba), ambos do mesmo partido e aliança. 

54663404295 7f5b1135c3 o 1
Ex-Líder de Governo, Angelina Martins. (Foto: Valdir Amaral / Alep)

Segundo relatos de Angelina, a troca foi conduzida de forma antidemocrática, ou seja, a nomeação de Bittencourt como líder de governo teria sido articulada nos bastidores, logo após as primeiras ações do Parlamento Universitário: “Ele tomou frente, conheci eles aqui, foi inclusive quando começou o parlamento dia 17. Por esse sentido, por eu não conhecê-los, eles já estavam articulando.” Dessa forma, a deputada não participou da decisão na mudança de quem a substituiria no cargo, e nem foi informada sobre as motivações para que isso fosse decretado.  

Quando questionada sobre ter dado razões para a troca, Martins informa que não deu justificativas, mas baseou-se no discurso proferido por Bittencourt, quando indagado sobre um possível rompimento dentro do partido após a mudança na liderança, colocando em dúvida a dialógica da deputada: “Pensando que ela (a aliança) precisava de alguém que representasse com um pouco mais de fulgor, um pouco mais de tranquilidade na fala, que representasse os interesses gerais de toda a aliança como um todo”, declarou o novo líder – entrevista dada para o Portal Nosso Dia e para a TV Assembleia.

Como uma forma de comunicar as outras parlamentares sobre sua versão, Angelina levou o episódio até a bancada, onde diz estar bem representada, com lideranças e colegas que a deixaram confortável para dar seu parecer, salientando uma condução “imparcial” e até mesmo “amorosa” sobre a pauta colocada. 

Em resposta as movimentações sobre o caso, o deputado expõe que a decisão sob a tomada de seu novo cargo, partiu exclusivamente da governadora, por ser a única que detém de tal poder, “não foi articulado pelas costas, pelos panos, ou tentaram passar alguém para trás, isso foi a decisão dela, porque pelos projetos de lei dela, é aquilo que ela quer trazer para o benefício do cidadão paranaense” apresenta. Sobre a entrevista dada aos portais, Bittencourt diz não se recordar de tais colocações, tecendo admirações a deputada Angelina. 

Os próximos passos da Bancada

De acordo com as lideranças, os próximos passos e as articulações da bancada, até o fim do Parlamento Universitário, será a consolidação da mentalidade entre uma união das deputadas, para o entendimento de voto e análises de PLs favoráveis a bancada. Outras propostas são, além de um exercício de escuta sobre os ataques que afetam por essas mulheres, a disposição de conselhos em como mediar e se impor dentro das comissões temáticas, para enfrentamento e apoio a situações que poderão gerar futuros desamparos. 

*ÁUDIO DA ENTREVISTA COM A LÍDER DA BANCADA* 

Confira parte da entrevista com a líder da bancada Luana Vasconcellos (UTFPR)

Entrevista – Líder da Bancada Feminina

 

Participe do grupo de WhatsApp e receba todas as notícias em primeira mão. Clique aqui

Mais lidas

STJ corrige decisão da Justiça do Paraná e anula condenação ampliada indevidamente

Uma decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) reformou a condenação de um morador de...

Médico de Umuarama nega agressão, afirma ser vítima e diz confiar na Justiça após denúncia de Cariúcha

O médico umuaramense Danilo Bravo se pronunciou publicamente na noite de ontem (domingo, 4) após...

Marido de dona de creche clandestina é preso por abusar de crianças

Um homem de 57 anos, marido da dona de uma creche clandestina localizada em Vespasiano...

Viraliza vídeo de suposto ato sexual entre alunos dentro da sala de aula em colégio de Curitiba

Um vídeo que mostra dois estudantes durante um suposto ato sexual dentro de uma sala de...

Notícias Relacionadas