Três foragidos da Justiça do Rio Grande do Norte, suspeitos de envolvimento direto no assassinato do prefeito de João Dias, foram capturados na cidade paraguaia de Ciudad del Este e transferidos para o Brasil, onde enfrentarão os trâmites judiciais. A prisão aconteceu por meio de uma ação integrada entre a Polícia Federal, as Polícias Civis do RN e PR, e a Polícia Nacional do Paraguai, coordenada pelo Comando Tripartite, órgão responsável por cooperações entre as forças de segurança na região de fronteira entre Brasil, Paraguai e Argentina.
A investigação policial concluiu que o assassinato do prefeito Marcelo Oliveira, de 38 anos, e de seu pai, Sandi Alves de Oliveira, de 58 anos, foi orquestrado pela vice-prefeita Damária Jácome e a irmã dela, a vereadora Leidiane Jácome.
Damária e Leidiane foram presas, junto com um terceiro envolvido, cuja identidade não foi divulgada. Os mandados de prisão preventiva foram expedidos pela Justiça do Rio Grande do Norte logo após as investigações apontarem indícios da participação dos três no crime que chocou a pequena cidade potiguar em agosto de 2024.
Desde dezembro do ano passado, os investigados estavam na condição de foragidos, com pistas indicando que teriam cruzado ilegalmente a fronteira para o Paraguai, onde estariam se escondendo. A partir dessas informações, o Comando Tripartite acionou os mecanismos de cooperação internacional, que culminaram na localização e prisão dos suspeitos em Ciudad del Este, um dos principais centros urbanos da Tríplice Fronteira.
Após a captura, os suspeitos foram conduzidos até a Ponte Internacional da Amizade, que liga o Paraguai a Foz do Iguaçu (PR), onde foram oficialmente entregues às autoridades brasileiras. A transferência respeitou os trâmites legais previstos em acordos internacionais e tratados de cooperação policial.
A morte do prefeito de João Dias provocou forte comoção na região e levantou suspeitas de motivação política, dadas as tensões locais e disputas pelo controle administrativo do município. As investigações apontam que o crime pode ter sido premeditado e articulado com participação direta de membros da própria gestão municipal.
Agora sob custódia, os três detidos deverão ser transferidos para o Rio Grande do Norte, onde ficarão à disposição da Justiça. A Polícia Federal e o Ministério Público seguem com as investigações para esclarecer completamente as circunstâncias do crime e apurar se há outros envolvidos.
A operação é mais um exemplo da eficiência da cooperação internacional policial no combate ao crime organizado e na repressão a foragidos da Justiça que tentam escapar por meio de fronteiras internacionais.
