sábado, 16 maio 2026
UMUARAMA/PR

Megaoperação desarticula esquema bilionário de fraude em combustíveis com envolvimento do PCC

Megaoperação desarticula esquema bilionário de fraude em combustíveis com envolvimento do PCC

Força-tarefa com 1.400 agentes cumpre mais de 350 mandados em oito estados; esquema teria movimentado R$ 52 bilhões e sonegado R$ 7,6 bilhões em tributos

No Paraná, três cidades que foram alvo da ação desenvolvida na manhã de hoje (quinta-feira, 28). Curitiba, Pinhais, Paranaguá e Araucária. Esta está sendo uma das maiores operações já realizadas no país contra o crime organizado e fraudes fiscais foi deflagrada por uma força-tarefa envolvendo mais de 1.400 agentes. Batizada de Operação Carbono Oculto, a ação tem como alvo um esquema bilionário de adulteração e distribuição ilegal de combustíveis, com infiltração de integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC).

Coordenada pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP), por meio do GAECO (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), a operação tem apoio da Polícia Federal, Receita Federal, Ministério Público Federal, Polícias Civil e Militar, ANP, Secretaria da Fazenda de São Paulo, Procuradoria-Geral do Estado e o GAERFIS (Grupo de Atuação Especial para Recuperação Fiscal). Ao todo, estão sendo cumpridos mandados contra mais de 350 alvos, entre pessoas físicas e jurídicas, nos estados de São Paulo, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná, Rio de Janeiro e Santa Catarina.

Segundo as investigações, o grupo criminoso é responsável por um prejuízo estimado em R$ 7,6 bilhões em sonegação de tributos. Os investigadores apontam que cerca de 1.000 postos de combustíveis ligados à organização movimentaram R$ 52 bilhões entre 2020 e 2024. Somente uma fintech controlada pelo grupo, usada como banco paralelo, movimentou de forma não rastreável R$ 46 bilhões no período.

Múltiplas ramificações

A operação revelou um esquema sofisticado e bem estruturado, envolvendo diversas etapas da cadeia de produção e distribuição de combustíveis. A fraude começava com a importação irregular de metanol, um produto altamente inflamável e tóxico, pelo Porto de Paranaguá (PR). O metanol era desviado de seus destinos legais e transportado de forma clandestina com notas fiscais falsas, colocando em risco a segurança pública e o meio ambiente.

Esse produto era então utilizado na adulteração de combustíveis, prática que, além de lesar o consumidor, gerava lucros exorbitantes para a organização. Foram identificadas duas formas principais de fraude: a quantitativa, na qual o consumidor recebia menos combustível do que o registrado na bomba, e a qualitativa, com a venda de combustíveis fora das especificações técnicas exigidas pela Agência Nacional do Petróleo (ANP).

Além disso, diversos proprietários de postos de combustíveis relataram ameaças de morte após venderem seus estabelecimentos ao grupo e não receberem os valores acordados. O Ministério Público constatou que os lucros ilegais eram lavados por meio de empresas de fachada (shell companies), fundos de investimento e fintechs, dificultando o rastreamento dos reais beneficiários.

Veja abaixo coo funcionova o esquema:

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esquema combustiveis

PCC e domínio econômico

A investigação mostra que o PCC atua diretamente em parceria com redes de organizações criminosas, inserindo-se em setores da economia formal como forma de viabilizar, proteger e ampliar seus negócios ilícitos. Ao longo do tempo, o grupo passou a controlar usinas de etanol, distribuidoras, transportadoras e postos de combustíveis, ampliando seu domínio econômico.

As fintechs utilizadas operavam com contabilidade paralela e permitiam transações entre empresas e pessoas físicas sem que os destinatários finais fossem identificados. O uso dessas instituições — em vez de bancos tradicionais — foi uma estratégia do grupo para dificultar o rastreamento do dinheiro ilícito, operando fora do alcance dos sistemas de controle financeiros tradicionais.

Ações judiciais e recuperação de ativos

Além das ações criminais, o CIRA/SP (Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos de São Paulo) anunciou que tomará medidas judiciais para bloquear e recuperar os bens envolvidos no esquema. A meta é restituir aos cofres públicos o montante sonegado, estimado em R$ 7,6 bilhões.

As investigações seguem em andamento, e a expectativa é de que novos desdobramentos surjam com o avanço da análise dos documentos e dispositivos apreendidos. A operação representa um marco no combate ao crime organizado infiltrado na economia legal, mostrando a complexidade e o poder de articulação dessas redes criminosas.

O Ministério Público reforça que denúncias anônimas podem contribuir para o avanço das investigações e podem ser feitas por meio dos canais oficiais, como o Disque-Denúncia 181. A ação desta quinta-feira é considerada uma das maiores ofensivas já feitas contra o uso da cadeia de combustíveis como meio de lavagem de dinheiro e financiamento de organizações criminosas no Brasil.

 

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