quinta-feira, 17 setembro 2026
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Megaoperação prende 19 pessoas por furto de R$10 milhões em cabeças de gado no Noroeste

Megaoperação prende 19 pessoas por furto de R$10 milhões em cabeças de gado no Noroeste

De acordo com a polícia, mais de 340 boletins de ocorrência relacionados a esse tipo de crime foram registrados nos últimos anos na área investigada.

Uma operação conjunta da Polícia Civil do Paraná (PCPR) e da Polícia Militar (PMPR) prendeu 19 pessoas nesta quarta-feira (9), suspeitas de integrar uma organização criminosa especializada no furto de gado no Noroeste do Estado. Segundo as investigações, o esquema estaria em atividade desde 2019, teria furtado mais de 2 mil cabeças de gado e provocado prejuízo superior a R$ 10 milhões.

A operação foi deflagrada nas primeiras horas da manhã e mobilizou cerca de 210 policiais civis e militares, além de cães de faro e helicópteros das duas corporações. A investigação também contou com a colaboração da Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar).

As diligências ocorreram em Alto Paraná, Paranacity, Cruzeiro do Sul, Colorado, Itaguajé, Uniflor, Nova Esperança, Astorga, Jaguapitã, São João do Caiuá, São Jorge do Ivaí, São Geraldo, Luiziana, Campo Mourão, Araruna e Roncador.

Ao todo, foram cumpridos 47 mandados de busca. Nos endereços ligados aos investigados, as equipes apreenderam oito armas de fogo, 210 munições, celulares, dinheiro em espécie, dois caminhões supostamente utilizados nos crimes e diversos objetos usados para marcação de gado.

Investigação começou após furto de 29 animais

As investigações tiveram início após o furto de 29 cabeças de gado, ocorrido em 13 de agosto de 2025, em uma propriedade rural de Alto Paraná. A partir do caso, a PCPR e a PMPR passaram a levantar informações sobre outros crimes semelhantes registrados na região.

Segundo o comandante do 8º Batalhão da PMPR, major Braz, informações obtidas pela Patrulha Rural Comunitária durante o contato com produtores foram repassadas à Polícia Civil e contribuíram para o avanço das investigações.

Ao longo de aproximadamente dez meses de apuração, os policiais identificaram uma estrutura que, segundo a PCPR, seria profissionalizada e hierarquizada, formada por cerca de 40 pessoas.

O grupo teria uma divisão específica de tarefas, desde o reconhecimento prévio das propriedades rurais e a execução dos furtos até o transporte dos animais. A investigação aponta ainda a existência de apoio logístico, supostas fraudes documentais para dar aparência de legalidade ao gado furtado e o posterior escoamento dos animais para receptadores e leilões.

Mais de 2 mil cabeças de gado

De acordo com o delegado da PCPR João Lucas Vieira Caetano, os levantamentos indicam que as ações atribuídas ao grupo remontam a 2019 e podem estar relacionadas ao furto de mais de 2 mil cabeças de gado.

O prejuízo estimado ultrapassa R$ 10 milhões somente em parte do Noroeste do Paraná. Conforme a Polícia Civil, mais de 340 boletins de ocorrência relacionados a esse tipo de crime foram registrados nos últimos anos na área investigada.

A Adapar participou da investigação fornecendo informações técnicas e cadastrais relacionadas, principalmente, à movimentação e ao trânsito dos animais.

Com base nas provas reunidas, a Polícia Civil solicitou à Justiça as medidas cautelares cumpridas nesta quarta-feira. Os pedidos foram deferidos pelo Poder Judiciário após manifestação favorável do Ministério Público.

Os investigados poderão responder, conforme a participação atribuída a cada um, por crimes como organização criminosa, furto qualificado de semoventes, receptação, corrupção ativa e passiva, inserção de dados falsos em sistema de informações, adulteração de sinal identificador de veículo automotor e crimes contra a saúde pública, além de outros delitos que eventualmente sejam identificados no decorrer das investigações.



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