A Polícia Federal deflagrou hoje (segunda-feira, 28), com apoio da Receita Federal, a Operação Fratres, que investiga a lavagem de dinheiro proveniente do tráfico internacional de drogas e armas na região de fronteira de Guaíra, no Oeste do Paraná. Nesta fase, são cumpridos cinco mandados de prisão preventiva e dois de busca e apreensão, todos em Guaíra.
A investigação identificou movimentações financeiras superiores a R$ 89,79 milhões em créditos e débitos desde 2019. O montante corresponde ao volume das operações analisadas pelos investigadores; não significa que toda a quantia já tenha sido comprovada como produto dos crimes.

Segundo a PF, a organização investigada utilizava empresas de fachada e empresas em atividade para dispersar recursos e dificultar a identificação de sua origem. Negócios simulados envolvendo imóveis e veículos, além de operações de transporte e logística, também teriam sido usados para dar aparência legal ao dinheiro.
A apuração começou na Delegacia da Polícia Federal em Guaíra, a partir de diligências decorrentes da Operação Transloading. Naquela ofensiva, voltada à estrutura logística usada para transportar drogas da fronteira a outras regiões do país, dez caminhoneiros foram presos em cinco estados. Cerca de três toneladas de maconha e cocaína foram apreendidas.

Com o avanço do trabalho, os policiais encontraram indícios de uma organização criminosa transnacional com conexões entre o Paraguai, a Bolívia, o Nordeste brasileiro e a fronteira paranaense. A Operação Fratres concentra-se no caminho percorrido pelo dinheiro que, conforme a investigação, estaria ligado ao tráfico de drogas e armas.
A 1ª Vara Federal de Umuarama determinou o bloqueio de bens e valores dos investigados. As medidas alcançam contas bancárias, imóveis residenciais e comerciais, veículos de luxo e embarcações. A intenção é restringir a movimentação de patrimônio possivelmente relacionado às atividades criminosas e preservar recursos para eventual ressarcimento e perda dos proveitos ilícitos em favor do Estado.
O material apreendido nas buscas será analisado para aprofundar o rastreamento dos valores e esclarecer a participação de cada investigado. Os mandados de prisão preventiva são medidas tomadas durante a investigação e não representam condenação.


