O Noroeste do Paraná entrou na mira de uma gigantesca ofensiva contra suspeitas de crimes financeiros hoje (quarta-feira, 4). Agentes do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e da Receita Federal deflagraram duas operações simultâneas que alcançaram Maringá, Cianorte, Goioerê, Loanda, Paiçandu, Mandaguari e Marialva, entre outros municípios brasileiros.
As operações Enxágue, em sua segunda fase, e Catéter investigam organizações criminosas suspeitas de montar uma complexa engrenagem de sonegação fiscal e lavagem de dinheiro. O cerco envolveu 64 mandados de busca e apreensão em 28 cidades de quatro estados, além de medidas judiciais de bloqueio patrimonial que somam impressionantes R$ 271,4 milhões.

A presença das equipes nas cidades do Noroeste evidencia o alcance regional das investigações, que têm como foco o comércio de sebo e gordura animal, produtos utilizados na fabricação de biodiesel e no setor de curtumes.
Segundo o Ministério Público, os grupos teriam criado empresas fantasmas, conhecidas como “noteiras”, para emitir documentos fiscais sem operações comerciais reais. A estratégia permitiria gerar créditos fraudulentos de ICMS, enquanto dívidas milionárias ficavam concentradas em empresas sem patrimônio.
O dinheiro também teria circulado por fundos de investimento, empresas financeiras e outras estruturas utilizadas para ocultar os verdadeiros beneficiários.
A Justiça autorizou o bloqueio de R$ 143,3 milhões na Operação Enxágue e de R$ 128 milhões na Catéter. Somente nesta última, as medidas alcançam mais de 30 imóveis, 79 veículos e uma embarcação.

As investigações apontam ainda que parte da estrutura suspeita já havia sido alvo de fiscalizações e procedimentos policiais ao longo de mais de uma década. Conforme a Receita Federal, pelo menos 35 empresas de fachada foram identificadas.
Além das buscas, nove investigados receberam medidas cautelares diversas da prisão.
O material recolhido nas cidades paranaenses e nos demais estados será analisado para aprofundar o rastreamento financeiro e identificar responsabilidades.

Para os investigadores, o desafio agora é reconstruir o caminho do dinheiro e buscar a recuperação dos valores devidos aos cofres públicos. As suspeitas ainda estão sob apuração, e os envolvidos têm direito à defesa.


