“Ele não estava alcoolizado”. Essa foi a afirmação de Thielsi Brás. Ela é sobrinha de Renato Porcina Brás, o motorista que se provocou o acidente que matou Kaledy Enzo Eltermann Gonçalves, de 13 anos, em Rio Branco do Sul, na Região Metropolitana de Curitiba (RMC). Renato morreu no hospital e a sobrinha afirma que o carro estava com problemas mecânicos.
O acidente aconteceu no domingo (24), e Kaledy brincava com a bicicleta que tinha acabado de ganhar quando foi prensado contra um poste por um carro estacionado que foi atingido pelo veículo dirigido por Renato. O menino morreu na hora.
Renato foi socorrido e encaminhado ao Hospital do Trabalhador, mas por ter sido agredido no local do acidente, não resistiu. A morte foi confirmada no final da tarde de terça-feira (26).
A sobrinha de Renato disse à Banda B que momentos antes de sair de casa, o tio estava com o filho dela no parque. Por isso não tinha bebido.
“Ele falou que iria comprar um refrigerante. Quando ele foi aconteceu a tragédia. Eu vi quando ele desceu, ele pulou a primeira lombada, na segunda lombada o carro derrapou e ele tentou gritar para o menino que estava junto com a gente, mas estava muito rápido. Tinha muita gente na rua, ele desceu, acredito que quando ele viu o carro lá embaixo ele quis que segurasse ele,mas a gente não esperava que o Kaledy estava atrás do carro” .
Thielsi disse acreditar que o carro, que estava com Renato há pouco tempo, apresentou problemas mecânicos.
“Ele trocou num terreno que ele tinha, o carro apresentava falha mecânica, ia levar para revisão para arrumar. Ele estava ciente”.
Segundo a sobrinha do motorista, as duas famílias se conheciam. Apesar de a tragédia ter sido provocada pelo tio dela, ela disse que também está destruída pelo que aconteceu.
“A gente nunca teve nenhum problema com ele [Kaledy], a gente se dava super bem, eu vi aquele menino nascer. Eles não mereciam isso, nesta data, duas famílias sendo destruídas. A gente conhecia, inclusive me criei junto, o avô do Kaledy estava sempre próximo. Foi uma tragédia muito grande”.
Agressão
Thielsi contou que, logo após o acidente, o tio ficou preso às ferragens do carro. Mas denunciou que os ferimentos que tinham não aparentavam ser graves, o que mudou com as agressões que ele sofreu.
“No momento que eu cheguei, ele estava preso com as duas pernas nas ferragens, estava acordado, mas não conseguia se mexer. Ele ficou em estado de choque. Demorou bastante para o socorro chegar, teve todo o transtorno das agressões que ele sofreu. Presenciei toda a cena, inclusive eu também fui agredida. Não foi a população, infelizmente”.
Renato foi levado ao hospital e a família demorou a conseguir sua localização. Não demorou vir a notícia da morte.
“Para nós foi uma dor muito grande, pois foram duas perdas. Renato era brincalhão, nunca fez mal a ninguém, sempre foi atrás das coisas dele, tinha um amor por mim tão grande porque me criou, estava sempre comigo e com meus filhos. Chegava do trabalho e vinha aqui. Sempre esteve comigo. Ele nunca foi uma pessoa ruim, nunca fez mal a ninguém”.

Investigação
A Polícia Civil informou à Banda B apenas que continua investigando o caso. O delegado Gabriel Fontana disse que testemunhas ouvidas na delegacia confirmaram que o motorista estava em alta velocidade e na contramão, mas não foi possível confirmar o consumo de bebida alcoólica.
A partir das imagens e das informações que a Polícia Civil conseguiu, a equipe de investigação trabalha com a hipótese de homicídio doloso. Uma perícia técnica deve ser feita no carro também, para saber a velocidade exata que o motorista trafegava, bem como se houve eventual falha mecânica, seja no freio ou na barra de direção.


