Grandes obras aguardadas há anos pelo Paraná precisam de uma atuação mais presente dos representantes do Estado em Brasília. A avaliação foi feita pelo candidato ao Senado Alexandre Curi (Republicanos) durante entrevista ao Hojecast, que foi ao ar ontem (quinta-feira, 24).
Ao longo da sabatina, Curi citou projetos de infraestrutura que dependem de decisões, licenciamento, concessões ou participação do Governo Federal e afirmou que pretende fazer desse acompanhamento uma das frentes de atuação no Senado.
Entre os exemplos mencionados estão o Contorno Ferroviário de Curitiba, a terceira pista do Aeroporto Internacional Afonso Pena, a Nova Ferroeste e uma nova ligação entre Mato Grosso do Sul e Paraná.
Para Curi, o papel de um senador não termina na elaboração de leis. “São pautas que exigem a presença e o interesse do senador em resolver. Estamos perdendo muita coisa por falta de força política”, afirmou.
Contorno Ferroviário
Um dos exemplos apresentados durante a entrevista foi a Malha Sul. Curi destacou que aproximadamente 11,5 quilômetros de ferrovia ainda atravessam Curitiba e relacionou a discussão à renovação da concessão ferroviária.
Segundo ele, a inclusão dos contornos ferroviários é uma oportunidade para retirar gradualmente os trens de carga da área urbana da capital.
Curi afirmou que participou, ao lado do prefeito Eduardo Pimentel e do governador Ratinho Junior, de articulações em Brasília para defender a inclusão da obra nas discussões relacionadas à concessão. “Não podemos renovar uma concessão por mais 30 anos e continuar com os trens de carga passando dentro de Curitiba”, defendeu.
Terceira pista do Afonso Pena
Outro caso citado foi a terceira pista do Aeroporto Internacional Afonso Pena, em São José dos Pinhais.
Durante a entrevista, Curi afirmou que o processo relacionado ao licenciamento permaneceu por cerca de dois anos no Ibama antes de avançar e defendeu que representantes do Paraná acompanhem de perto projetos federais considerados estratégicos.
Na avaliação do candidato, a nova pista pode ampliar a capacidade logística do aeroporto, especialmente para o transporte de cargas, e melhorar a conexão do Paraná com mercados internacionais. “Há quanto tempo se fala na terceira pista do aeroporto de Curitiba? Ficou dois anos parada no Ibama. É esse tipo de pauta que precisa ter alguém acompanhando em Brasília”, disse.
Infraestrutura e competitividade
Curi também relacionou a infraestrutura ao crescimento econômico do Paraná.
Segundo ele, projetos ferroviários, aeroportuários e rodoviários precisam acompanhar a expansão da produção industrial e agropecuária do Estado.
A Nova Ferroeste foi novamente apontada pelo candidato como um dos projetos que exigem articulação entre Estado e União. Curi também citou a ligação entre Paraná e Mato Grosso do Sul como estratégica para reduzir distâncias no transporte da produção até o Porto de Paranaguá. “A minha candidatura representa isso: a volta da força do Paraná em Brasília”, afirmou.
Saúde e municípios também entraram na pauta
Além da infraestrutura, a entrevista abordou financiamento da saúde, pacto federativo, reforma tributária, segurança pública, Supremo Tribunal Federal e a proposta de criação do Fundo Sul.
Na saúde, Curi voltou a defender a revisão da tabela do SUS para hospitais filantrópicos e Santas Casas. Ele afirmou que pretende levar ao Ministério da Saúde a situação das instituições paranaenses, que respondem por parcela significativa dos atendimentos e procedimentos de alta complexidade no Estado.
O candidato também defendeu maior participação dos municípios nas receitas públicas e afirmou que o Paraná precisa ampliar sua articulação para acessar recursos federais.
“Discurso sozinho não resolve”
Outro ponto da entrevista foi a relação entre discurso político e capacidade de execução. Ao tratar do Supremo Tribunal Federal, Curi afirmou que críticas isoladas não seriam suficientes e defendeu que eventuais mudanças sejam discutidas por meio de propostas de emenda à Constituição.
“Todo mundo está falando do Supremo para ganhar curtida, likes. É claro que existe uma indignação, mas o discurso sozinho não resolve. O que resolve é agir”, afirmou.
Curi citou como propostas regras para mandato de ministros, transparência em palestras, restrições à atuação de parentes na Corte, mudanças no processo de escolha dos ministros e fiscalização externa.
Na parte final da entrevista, Curi também defendeu que representantes paranaenses atuem conjuntamente em temas de interesse do Estado, mesmo quando pertencem a grupos políticos diferentes.
Segundo ele, divergências partidárias não deveriam impedir a construção de uma agenda comum em torno de infraestrutura, saúde, educação e recursos federais. “Quando é uma pauta do Estado, os três senadores precisam sentar na mesma mesa, junto com o governador e os deputados, e colocar o Paraná em primeiro lugar”, afirmou.
Para Curi, a experiência de seis mandatos na Assembleia Legislativa e o contato com os 399 municípios seriam a base para essa atuação no Senado. “Eu conheço a vocação e as demandas de cada região. O que o Sudoeste precisa é diferente de Curitiba, da Região Metropolitana ou do Litoral. Para legislar e representar, é preciso conhecer”, concluiu.


