Contratos da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep) receberam R$ 73,6 milhões em aditivos de preço em 2024 e 2025, durante a gestão de Edson Vasconcelos (PL), candidato a vice-governador na chapa de Sergio Moro (PL). O levantamento considera os contratos do Sesi e do Senai, as únicas entidades do Sistema Fiep com dados contratuais disponíveis nos portais de transparência da Federação.
Vasconcelos assumiu a presidência da Fiep em outubro de 2023 e se licenciou do cargo neste ano para disputar a vice-governadoria na chapa de Moro. A candidatura está registrada no Tribunal Superior Eleitoral. Desde a oficialização, Moro passou a associar o nome de Vasconcelos à experiência empresarial e à gestão do setor produtivo.
O volume representa uma mudança expressiva em relação ao período anterior. Em 2022, último ano completo antes da chegada de Vasconcelos à presidência da Fiep, apenas um contrato do Sesi e um do Senai tiveram aditivo de preço, segundo as mesmas bases de transparência.
A partir de 2024, os aditivos passaram a atingir cerca de um terço dos contratos das duas instituições anualmente: 35,4% dos contratos do Sesi e 36,2% do Senai tiveram seus valores aumentados posteriormente. Em 2022, as proporções eram de apenas 1,9% no Sesi e 1,4% no Senai.
Os acréscimos financeiros acompanham essa mudança de escala: foram R$ 37,74 milhões a mais em aditivos no Sesi e R$ 35,91 milhões no Senai, totalizando R$ 73,65 milhões em valores acrescidos posteriormente aos contratos.
Descontrole de gestão
A diferença em relação a 2022 não está apenas no número de aditivos, mas na frequência com que eles passaram a ocorrer na gestão do vice de Moro na Fiep. Naquele ano, apenas dois contratos, um de cada instituição, tiveram alteração de preço. Em 2024 e 2025, foram 137 contratos somados entre Sesi e Senai – mais de um a cada três contratos analisados.
A existência de um aditivo, isoladamente, não caracteriza irregularidade. O que os dados mostram, porém, é uma mudança significativa no padrão de contratação durante a gestão de Vasconcelos, com alterações de preço que passaram de uma ocorrência pontual a uma prática recorrente.
O resultado contrasta com o discurso de eficiência, controle de gastos e responsabilidade na gestão defendido por Moro e seu vice. Em agosto, ao lado de Vasconcelos, o candidato afirmou que sua proposta para o Paraná seria baseada em “eficiência da gestão” e “responsabilidade com o dinheiro público”.
A questão da Fiep também ganha uma dimensão política maior porque a chapa de Moro e Vasconcelos é alvo de uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) que apura suposto abuso de poder econômico relacionado ao uso da estrutura da Federação para favorecer a candidatura do senador. Entre os principais fatos questionados estão os Fóruns Regionais da Indústria realizados em 2025, custeados com dinheiro da Fiep, dos quais Moro participou como “convidado de honra”.


