A delegada Daniela Corrêa Andrade, do 3ª Distrito de Curitiba, afirmou que imagens de câmeras de segurança mostram “claramente” que o o jornalista Andrei Gustavo Orsini Francisquini arranca com seu carro nas duas oportunidades em que foi abordado pela polícia. A declaração foi feita em coletiva de imprensa realizada na tarde desta quinta-feira (23). Andrei foi morto após perseguição que terminou na Praça da Espanha, na madrugada do dia 12 de maio.
Segundo a delegada, as investigações aguardam o término de todos os laudos e ainda não é possível tirar nenhuma conclusão sobre a ação policial. “Ainda não podemos tirar conclusões, estamos apenas no início das investigações. Por enquanto, só recebemos o laudo do exame de local. Estamos aguardando o recebimento das perícias solicitadas, queremos ouvir as testemunhas intimadas e terminar de levantar as imagens do circuito de segurança”, disse.
Advogado de PMs diz que jornalista morto foi o único que cometeu crime
Coronel Lee defende ação da PM e descreve ficha policial de jornalista morto na Praça da Espanha
Comerciantes da região colaboraram com as investigações cedendo imagens de câmeras de segurança dos estabelecimentos e a polícia ainda aguarda resposta da PM sobre o funcionamento (ou não) do totem da corporação instalado na praça. A delegada afirma que as imagens recuperadas até o momento não deixam dúvidas de que o jornalista resistiu às abordagens policiais. “Vemos claramente que o Andrei arranca nas duas abordagens feitas pela polícia, a primeira na Vicente Machado e a outra na Praça da Espanha. Isso é bem claro”, afirmou.
O inquérito policial tem prazo de trinta dias, prorrogáveis por até mais trinta, para ser concluído e encaminhado à justiça.
Advogado da família
O advogado da família do jornalista morto, Paulo Cristo, também falou à imprensa e disse conhecer os antecedentes criminais da vítima, mas afirmou que os processos já estariam todos resolvidos. “O Andrei não era nenhum anjo, mas em relação ao o que aconteceu no passado, ele já pagou. Os processos que constam foram todos resolvidos”, disse o advogado.
Cristo também afirmou à imprensa que Andrei nunca possuiu uma arma, contradizendo o que contaram os policiais militares no boletim de ocorrência. “Nós estamos categoricamente dizendo que ele nunca possuiu essa arma. Os elementos colhidos pela perícia irão indicar se o Andrei manuseou ou não essa arma”, afirmou o advogado.
O caso
Andrei foi morto após um suposto confronto com a Polícia Militar. Imagens de câmeras de segurança mostram o momento da primeira abordagem, na Rua Vicente Machado. Dois PMs atiram para tentar evitar a fuga, mas o jornalista segue em velocidade até ser cercado a algumas quadras dali, já na praça. Neste momento, Andrei é baleado ao tentar novamente fugir. A PM alega que encontrou uma arma dentro do carro do suspeito. A família nega que ele tivesse a pistola. O caso está sendo investigado pela Polícia Civil e pela Corregedoria da PM.
Fonte: Banda B


