quinta-feira, 17 setembro 2026
UMUARAMA/PR

Punição? Comandante envolvido em suspeitas de ‘farra’ em batalhão recebe 90 dias de férias

Punição? Comandante envolvido em suspeitas de ‘farra’ em batalhão recebe 90 dias de férias

O tenente-coronel da Polícia Militar do Paraná (PMPR) Gustavo Alfonso Rocha, suspeito de envolvimento com irregularidades e infrações previstas inclusive no Código Penal Militar, vai tirar dias de descanso, logo após as denúncias que o envolvem virem à tona e causarem grande repercussão.

A CGN mostrou na semana passada que o então comandante do 19º Batalhão de Polícia Militar, de Toledo, fez uso suspeito de diárias, se envolveu em acidente automobilístico com uma viatura mesmo com a CNH cassada e ainda foi flagrado, por câmeras de segurança, levando três mulheres, durante uma madrugada de domingo, para sala no batalhão. Ele foi afastado de seu cargo de comando para que houvesse apuração das denúncias.

A concessão de 90 dias de férias consta em publicação interna da Polícia Militar. No documento, indica-se que o comando decidiu ampliar o período de descanso de Alfonso Rocha de 30 dias para 90. Pela decisão, o tenente-coronel sai de férias, por 30 dias, a partir de 31 de agosto, depois gozará de mais 30 dias de descanso a partir de 07 de outubro e depois mais 30 dias a partir de 13 de novembro. Chama a atenção que essas férias seriam relativas aos anos de 2012, 2013 e 2014.

A concessão do benefício ao oficial, logo após o surgimento das denúncias, causou grande estranhamento entre policiais de todo o Estado, que esperavam do comando-geral da Polícia Militar uma atitude firme, enérgica, célere na apuração das denúncias e eventuais punições práticas e exemplares. Fontes ouvidas pela CGN confirmam o mal estar, principalmente entre praças e também entre alguns oficiais que são contra eventuais corporativismos.

Na visão dos policiais ouvidos pela reportagem, a concessão das diárias pode ser legal, mas deixa um ar de uma possível futura impunidade. Eles acreditam que se o policial envolvido nas mesmas acusações fosse um praça, o encaminhamento dado pelo comando seria diferente. Há ainda um receio de que ocorra situação parecida com a de Eudes Camilo da Cruz, que capotou viatura da PM durante suas férias, enquanto era comandante do 6º BPM. Apesar do histórico, ele foi promovido. As fontes, que conversaram com a CGN, preferem não se expor, com medos de represálias.

A possibilidade de impunidade no caso gerou desdobramentos na Assembleia Legislativa do Paraná, nesta semana. O deputado estadual Soldado Fruet (PROS) usou seu mandato para cobrar firmemente o comando-geral da PM. Um requerimento foi encaminhado para a Secretaria de Estado de Segurança Pública. “Se fosse um soldado que cometesse apenas um ato irregular, a essa altura já estaria expulso da Polícia Militar, então, que se faça o mesmo com oficiais que maculam a imagem de nossa gloriosa Polícia Militar”, disse o Soldado Fruet, ao avaliar a situação.

Investigações

O tenente-coronel Dorian Nunes Cavalheiro, comandante regional da PM, disse na terça-feira que um oficial será designado para presidir sindicância aberta contra Gustavo Alfonso Rocha (que também é oficial). A documentação para a abertura do procedimento foi enviada a Curitiba ainda na sexta-feira (16), pouco tempo depois de a CGN revelar o caso.

As oitivas devem começar ainda nesta semana e a investigação concluída dentro de 60 dias.

O tenente-coronel Gustavo Alfonso Rocha, suspeito de irregularidades, tem salário bruto de R$ 27,5 mil.

Explicações/Posicionamento

CGN encaminhou um pedido de posicionamento para o comando-geral da Polícia Militar, com as seguintes perguntas objetivas a serem respondidas:

– O comando da PM entende ser conveniente, em meio a denúncias graves, conceder sequências de férias ao oficial alvo de tais suspeitas?

– Qual mensagem o comando da PM acredita que seja passada aos ‘comandados’ do Paraná com a decisão de concessão das férias?

– Por que as férias concedidas agora são referentes a período de sete anos atrás? O comando-geral não controla a concessão dos benefícios para que não haja essa possibilidade de mais de 90 dias sem trabalho?

– Já foi definido o nome do oficial que vai presidir a sindicância? Ele, em algum momento, teve alguma relação próxima com o outro oficial, tenente-coronel Gustavo Alfonso Rocha?

– Quais são as oitivas já programadas? 

– O deputado Soldado Fruet cobra que o oficial tenha o mesmo tratamento de um praça. Isso está ocorrendo? 

A reportagem solicitou que as respostas sejam enviadas por escrito, nas próprias perguntas, para que fique claro o posicionamento do comando geral da PM.

CGN


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