Mais adiante, a magistrada diz ser “verossímil” que o investigado estivesse “determinado a matar movido pela vontade de ‘liberar’ não só leitos, mas também recursos instrumentais e energias humanas, físicas e emotivas dos colegas médicos, dos enfermeiros e dos outros operadores do pronto-socorro”.

Na mesma entrevista de junho, em que comentava os piores momentos da primeira fase da pandemia, Mosca contou que assim que a circulação do vírus foi identificada na Itália, no fim do fevereiro, ele decidiu se instalar em uma espécie de pousada, para não correr o risco de contaminar a mulher e a filha, então com 7 anos.

Ficou assim até o início de maio, por mais de dois meses sem ver a família, que mora na cidade de Mântova. Sobre essa distância, afirmou: “Foi um erro, agora me dou conta”.

Depois do interrogatório desta sexta, o Ministério Público deve fazer novas apurações de acordo com as respostas dadas pelo médico. Ele ainda não é considerado réu, porque a investigação ainda está em fase preliminar.

Assim que a prisão preventiva foi decretada, Mosca foi suspenso de suas funções. Em nota, a administração do hospital classificou as acusações como graves e disse que está colaborando com as autoridades. A Ordem dos Médicos da Província de Bréscia ressalta que “se trata de uma investigação, não de uma sentença” e que, embora muito grave, é ainda uma “hipótese de crime”.